Brasil "Não há risco à saúde o consumo de carne", diz ministro da Agricultura

"Não há risco à saúde o consumo de carne", diz ministro da Agricultura

Polícia Federal prendeu hoje 11 pessoas envolvidas em esquema que fraudava testes em laboratório para vender ao exterior carne com salmonella

"Não há risco à saúde o consumo de carne", diz ministro da Agricultura

PF cumpriu 57 mandados de busca e apreensão em endereços da BRF

PF cumpriu 57 mandados de busca e apreensão em endereços da BRF

GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADÃO CONTEÚDO - 05.03.2018

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta segunda-feira (5) que "não há nenhum risco" para a saúde o consumo de carne de aves no Brasil. Operação da Polícia Federal realizada hoje, com apoio do ministério, prendeu 11 pessoas suspeitas de participarem de um esquema que fraudava testes laboratoriais de produtos vendidos ao exterior. O principal alvo da PF é a BRF, empresa que controla as marcas Sadia e Perdigão.

"Não há nenhum risco no consumo de carnes de aves das empresas citadas ou não", declarou o ministro em vídeo postado em suas redes sociais.

— A salmonella desaparece quando a carne é cozida ou frita.

A presença da bactéria "salmonella" em produtos de origem animal não impede que carnes sejam vendidas no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, a prevalência da bactéria por aqui chega a 20% — ou seja, a cada 100 amostras de produtos, espera-se que a salmonella esteja presente em 20 delas.

Há países, no entanto, em que o controle é mais rígido e que a tolerância é zero. De acordo com as investigações, a BRF fraudava testes de laboratório e eviava ao Ministério da Agricultura exames que não indicavam contaminação, o que autorizava a venda do produto aos países com restrições de compra.

A "salmonella spp", encontrada nas amostras, não causa danos à saúde se for preparada a altas temperaturas, como cozimento ou fritura. É o que afirma o ministro no vídeo. Veja abaixo:

Ainda segundo o ministro, a investigação "é sobre exportação para alguns países" que possuem regras distintas em relação à salmonela.

— Queremos que as coisas sejam feitas de forma correta e transparente.

Outro lado

Em nota divulgada à imprensa, a BRF diz que as investigações não mostram que as carnes vendidas pela empresa possam causar danos à saúde. A empresa afirma que "segue normas e regulamentos brasileiros e internacionais". Leia o texto:

"Comunicado Geral sobre a Operação Trapaça

A empresa está mobilizada para prestar todos os esclarecimentos à sociedade.

A BRF segue normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos. Há mais de 80 anos demonstra seus compromissos com a qualidade e segurança alimentar, que estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo. A BRF possui importantes certificações internacionais de qualidade. É a única empresa brasileira a participar do GFSI (Global Food Safety Initiative).

Com base nos documentos disponíveis, a BRF entende que nenhuma das frentes de investigação da Polícia Federal diz respeito a algo que possa causar dano à saúde pública.

A Companhia reitera que permanece inteiramente à disposição das autoridades, mantendo total transparência na interlocução com seus clientes, consumidores, acionistas e o mercado em geral.

Sobre as denúncias até então divulgadas, a empresa esclarece o seguinte.

1) Sobre a Salmonella Pullorum em Carambeí

• Existem cerca de 2.600 tipos de salmonela. A Salmonella Pullorum é essencialmente de aves e não causa nenhum dano à saúde humana.

• A BRF segue todos os monitoramentos estabelecidos pelo PNSA (Plano Nacional de Sanidade Avícola) e Instrução Normativa nº 20. Estão inclusos o monitoramento e a pesquisa de S.Pullorum.

• No lote de 46 mil pintos citado na acusação foram realizadas análises microbiológicas que não identificaram presença da bactéria S.Pullorum. Porém, ela foi identificada em matrizes e lotes de frango de corte no mesmo período em Carambeí.

• Os resultados dessas análises foram devidamente notificados ao Serviço Veterinário Estadual e ao Serviço de Inspeção Federal, como determina a legislação. O ofício nº 016/16/Matrizes foi encaminhado no dia 18 de abril de 2016 ao Serviço Estadual. Outros 28 ofícios relacionados ao assunto foram encaminhados ao Serviço Federal.

2) Sobre o uso do composto Premix

• O Premix é um composto de vitaminas, minerais e aditivos para rações animais. É utilizado no mundo inteiro. Tem como finalidade complementar os níveis nutricionais da ração.

• Os processos de produção do Premix seguem normas técnicas nacionais e internacionais. Pela rastreabilidade do produto é possível identificar tudo o que foi incluído no Premix, suas concentrações, origem e destino. Para cada fase da vida do animal, existe uma composição diferente de Premix.

• As fábricas da BRF que produzem o Premix são registradas e certificadas pelo MAPA conforme as Instruções Normativas IN04 e IN14. As fábricas passam por fiscalização constantemente. As informações são auditáveis por clientes, MAPA e outros órgãos fiscalizadores.

• A última auditoria do MAPA na BRF ocorreu em outubro de 2017, e todos os parâmetros estavam devidamente dentro das normas.

• Os e-mails revelados pela investigação em curso são de três anos atrás. O teor das mensagens está sendo investigado pela empresa.

3) Sobre as acusações da ex-funcionária Adriana Marques Carvalho

• Tratam-se de denúncias de uma profissional que foi desligada em julho de 2014 e ingressou com ação trabalhista contra a empresa.

• As acusações da ex-funcionária foram tomadas com seriedade pela companhia, e medidas técnicas e administrativas foram implementadas para aprimorar seus procedimentos internos. Cabe ressaltar que esse aprimoramento é um processo contínuo dentro da governança da BRF. Entre essas medidas, umas das principais foi desvincular a hierarquia das unidades produtoras sobre os laboratórios, que passaram a responder diretamente à estrutura global de Qualidade".

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