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‘Não podia ter Plano Real se não tivesse Plano Cruzado’, diz Sarney nos 30 anos da redemocratização

Ex-presidente diz não se arrepender das medidas econômicas adotadas entre 1985 e 1990

Brasil|Mariana Londres e Bruno Lima, do R7, em Brasília

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Há 30 anos, José Sarney tomava posse como presidente da República no lugar de Tancredo Neves
Há 30 anos, José Sarney tomava posse como presidente da República no lugar de Tancredo Neves

O Brasil vive atualmente um momento delicado em sua economia. Com uma inflação beirando os 7% ao ano, taxa de juros alta, arrocho fiscal e desvalorização do Real frente às moedas internacionais, o País passa por uma crise que há muito tempo não se via. 

No entanto, pode-se dizer que vivemos um estabilidade econômica, ainda mais comparando ao final dos anos 80, quando o Brasil passava por um dos principais momentos de sua história recente. 


Há 30 anos, José Sarney tomava posse como presidente da República no lugar de Tancredo Neves, que viria a morrer 39 dias depois, vítima de uma diverticulite. Naquele ano a inflação chegou a 225%. 

Tentando estimular o crescimento da economia e frear a hiperinflação herdada pelo governo militar, Sarney lançou diversos planos econômicos durante os cinco anos em que foi presidente.


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O primeiro deles foi batizado de “Plano Cruzado” e anunciado em fevereiro de 1986. A principal mudança foi na moeda, que deixou de ser o cruzeiro e se tornou o cruzado. Também houve congelamento de preços e o reajuste dos salários toda vez que a inflação superasse os 20% ao mês. No entanto, os produtos começaram a sumir das prateleiras e o plano perdeu popularidade. O ex-presidente defende o Cruzado e diz que os ganhos dos salários eram reais.


— A inflação no meu tempo tinha correção monetária, o que não é uma inflação sem correção monetária. Com correão monetária aumentavam os preços, mas os salários aumentavam da mesma maneira. Então havia correção mensal do salário. 

De acordo com Sarney, o método fez com que a subida dos preços não atingissem diretamente o bolso do consumidor, estimulando o crescimento do País. 


— Isso fez com que nós criássemos um colchão e o povo não sofresse. Até hoje o crescimento que teve o País durante o meu governo não se repetiu nos outros governos que me sucederam.

Sarney ainda lançou o Plano Cruzado II em 1986, Plano Bresser em 1987 e Plano Verão em 1989. Em um dos momentos mais críticos, foi decretada a suspensão do pagamento dos serviços da dívida externa – a moratória. A medida elevou os preços e a inflação disparou. Sarney avalia que a decisão foi correta e diz não se arrepender dos planos econômicos que adotou entre 1985 e 1990, quando deixou a Presidência. 

— Eu fui o primeiro presidente da República da América Latina que recusei a pagar a dívida. Com as dificuldades e a fome do povo brasileiro e o desemprego, como fizeram os Países da Europa atualmente. Eu recusei a ortodoxia econômica quando adotei o Plano Cruzado.

Segundo o ex-presidente o País viveu um alto índice de empregos e a dívida externa recuou. Além disso, José Sarney destaca os avanços alcançados nos benefícios trabalhistas como o vale alimentação e o vale transporte. 

— O Brasil teve um período capaz de se preparar para fazer uma mudança econômica que os planos econômicos que nós lançamos levaram finalmente com o seu aperfeiçoamento ao Plano Real. Não podia ter Plano Real se não tivesse Plano Cruzado.

Para ele, as mudanças trouxeram estabilidade para o País e abriram caminho para políticas públicas criadas posteriormente, principalmente na área social. 

— Os chineses dizem que quando se vai beber água no poço, se deve ver que abriram o poço. Pois o poço foi aberto naquele tempo e hoje ele cresceu e os outros presidentes ampliaram essa linha que foi traçada e hoje nós vemos com grande satisfação que os direitos sociais são reconhecidos, são criados no País.

De saída da vida pública, Sarney analisa que o atual governo está enfrentando dificuldades externas, como a crise internacional, e que o ajuste fiscal da nova equipe econômica de Dilma Rousseff é necessário para retomar o equilíbrio financeiro do Brasil. 

— Eu acho que os presidente fazem aquilo que eles podem. Ninguém governa se não no tempo que governa e enfrenta as realidades que enfrenta. Eu acredito que o governo está fazendo dentro das condições que ele está enfrentando. 

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