No Senado, procurador-geral afasta chance de acordão na Lava Jato
Rodrigo Janot, que é sabatinado hoje, descarta selecionar políticos que serão denunciados
Brasil|Sandro Guidalli, do R7, em Brasília

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, negou com veemência nesta quarta-feira (26) que exista a articulação de um acordo entre o Palácio do Planalto e o MPF (Ministério Público Federal) para denunciar ao STF (Supremo Tribunal Federal) apenas desafetos políticos do governo no âmbito da Operação Lava Jato.
Janot é sabatinado no Senado, que pode ou não aprovar seu nome para mais dois anos à frente do MPF. Ele foi acusado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de fazer parte do que chamou de acordão a fim de prejudicá-lo.
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Cunha foi denunciado pelo MPF na quinta-feira (20) ao STF pelos crime de corrupção e lavagem de dinheiro. Ao responder indagação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Janot disse que o referido acordão é uma ilação impossível.
— Há 31 anos eu optei pela carreira de procurador. Não vou abandonar o trilho da técnica para me embrenhar no caminho da política, que pouco conheço. Além disso, para fazer um acordo político eu teria de combinar com outros 20 colegas procuradores.
Janot também argumentou que todas as apurações realizadas na Lava Jato se tornarão públicas quando perderem o status de material sigiloso.
— Não é razoável imaginar que se possa fazer um acordo quando toda a sociedade brasileira terá acesso ao escrutínio das investigações.
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Cunha também acusou Janot de não denunciar outros investigados ligados ao PT. Até agora, apenas ele e Collor de Mello (PTB-AL) foram denunciados pelo MPF ao STF.
Mais cedo, o procurador-geral disse que não pretende permanecer no cargo por mais dois anos para satisfazer o ego. Janot defendeu ainda os acusados que aceitaram a delação premiada. Em seguida, afirmou que o delator não é um "dedo-duro, X-9 ou alcaguete", mas alguém que primeiramente confessa a participação em crimes.















