Brasil OAB do Rio de Janeiro vai acionar STF para pedir cassação do mandato de Bolsonaro

OAB do Rio de Janeiro vai acionar STF para pedir cassação do mandato de Bolsonaro

Parlamentar homenageou um torturador da ditadura durante votação do impeachment

OAB do Rio de Janeiro vai acionar STF para pedir cassação do mandato de Bolsonaro

À direita, Bolsonaro grita durante voto do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)

À direita, Bolsonaro grita durante voto do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)

17.04.2016ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, afirmou nesta terça-feira (19) que vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) e, se necessário, à Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, para pedir a cassação do mandato do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

A Ordem entrará também com uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para que apreciem o discurso de Bolsonaro na votação de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, aprovada por ampla maioria no último domingo (17).

Em seu voto, o parlamentar exaltou a ditadura militar e elogiou o coronel Carlos Brilhante Ustra, que foi chefe do Doi-Codi de São Paulo, um dos principais e mais sangrentos centros de tortura do regime militar.

“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, disse Bolsonaro antes de votar “sim”.

Saiba quem foi o torturador Brilhante Ustra

Filho do desaparecido político Fernando Santa Cruz, o presidente da OAB/RJ afirmou que um grupo de juristas já está elaborando um estudo com argumentos e processos cabíveis para pedir a cassação

— Vamos pedir [até a semana que vem] para que o Supremo estabeleça se é possível um deputado que preconiza um regime de exceção e é a favor do fascismo e da tortura usar esse microfone para apologia a um crime que é contra a humanidade.

Santa Cruz definiu Bolsonaro como “folclórico”, mas se disse preocupado com os posicionamentos e falas do deputado.

— Nos preocupa que, nesse circo que está se transformando a política brasileira, o Bolsonaro queira sempre aparecer mais e mais, e esteja inaugurando uma conduta de falar coisas criminosas no exercício do mandato.

O presidente da ordem lembrou que, em visita a um Diretório Central de Estudantes que leva o nome de seu pai, Bolsonaro fez piada sobre a situação.

— Ele foi em um evento no DCE da UFF [Universidade Federal Fluminense] e disse que meu pai tinha saído para o Carnaval e não voltou. Meu pai desapareceu na época do carnaval. Eu não quero dar mais alimento para eleitores dele, pessoas que ignoram o processo político. Quando o Bolsonaro usa a tribuna pra fazer a defesa de um torturador, é o mesmo que um parlamentar alemão fazer a defesa de  Adolf Hitler. É algo muito grave e que não pode ser tratado como algo corriqueiro.

Fuzis contra movimento rural

No final de semana, o R7 gravou uma entrevista com o deputado nos corredores do Congresso em que, utilizando de sua retórica habitual, ele afirma que, “se depender de mim, nas fazendas vocês terão fuzis”.

— Cartão de visita pra marginal do MST é um cartucho 762.

Sobre o momento político, Bolsonaro declarou:

— Também peço a Deus que a esquerda não queira nos lançar a uma aventura armada como fez em 68.

Veja a entrevista com o deputado: