Ocidente pressiona Rússia por saída diplomática na Ucrânia
Crise entre Moscou e o Ocidente é uma das mais graves desde o fim da Guerra Fria
Brasil|Do R7

Os países ocidentais aumentaram a pressão nesta segunda-feira (3) para encontrar uma saída diplomática com a Rússia, acusada pela Ucrânia de ter optado pela guerra depois que comandos pró-russos se apoderaram da península da Crimeia.
A crise, uma das mais graves entre Moscou e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria, provocou quedas nas bolsas (a de Moscou operava em baixa de mais de 5%), assim como altas no preço do petróleo.
O secretário americano de Estado, John Kerry, anunciou que visitará Kiev nesta terça-feira (4), para "reiterar o forte apoio dos Estados Unidos à soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia", indicou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em comunicado.
Os Estados Unidos também pediram o envio imediato à Ucrânia de observadores da OSCE (Organização para a Cooperação e Segurança na Europa) para tentar "promover o respeito da integridade territorial" desta ex-república soviética, independente desde 1991.
O presidente Vladimir Putin considera que a Rússia deu resposta totalmente adaptada à "ameaça constante de atos violentos por parte das forças ultranacionalistas" ucranianas, embora em conversa com a chefe de governo alemã, Angela Merkel, tenha aceitado a criação de um grupo de contato para iniciar diálogo político sobre a Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, convocou a Rússia a reconsiderar, diante do que avaliou como "a maior crise na Europa no século 21".
Hague e seu colega grego, Evangelos Venizelos, cujo país ocupa a presidência semestral da UE (União Europeia), também se reunirão nesta terça-feira (4) com as novas autoridades ucranianas, depois da destituição, no dia 22 de fevereiro, do presidente Viktor Yanukovytch pelo Parlamento ucraniano.
No último domingo (2), os líderes do G7 de países mais industrializados condenaram a clara violação da soberania da Ucrânia por parte de Moscou e anunciaram a suspensão de seus preparativos visando à cúpula do G8 (G7+Rússia) em Sochi em junho.
A Otan pediu que Kiev e Moscou cheguem a uma "solução pacífica" da crise por meio do diálogo e "a mobilização de observadores internacionais", segundo seu secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen.
"A Rússia não quer a guerra com a Ucrânia", respondeu no domingo o vice-chanceler russo, Grigori Karasin.
A tensão persiste na Crimeia, embora os confrontos tenham sido evitados até agora.
A península da Crimeia é uma zona autônoma ucraniana de 2 milhões de habitantes, em sua maioria de língua russa, onde a frota russa do Mar Negro tem sua base.
A base militar de Perevalne, que abriga uma unidade da guarda-costeira ucraniana, a 20 km de Simferopol (a capital da Crimeia), foi cercada por centenas de homens armados com fuzis, constatou a AFP.
Segundo o Ministério ucraniano da Defesa, que estimou seu número em mil efetivos, os atacantes queriam obrigar a guarda-costeira a entregar suas armas.
Vários locais estratégicos da península, como bases militares, aeroportos e edifícios oficiais, foram bloqueados por homens armados, cujos uniformes não têm insígnias, mas que, segundo os observadores, são soldados russos.
O almirante Denis Berezosvski, comandante em chefe da Marinha de guerra ucraniana, nomeado há alguns dias pelo presidente interino Olexander Turchynov, anunciou no domingo que aderia às autoridades locais pró-russas da Crimeia.
A Ucrânia advertiu no domingo que a tensão havia deixado esta região da Europa à beira do desastre e já afirmou que a presença de forças russas na Crimeia constituía uma declaração de guerra.
"Se o presidente (russo Vladimir) Putin quer ser o presidente que começou uma guerra entre dois países vizinhos e amigos, está prestes a alcançar seu objetivo. Nós estamos à beira do desastre", advertiu no domingo o primeiro-ministro interino, Arseni Yatseniuk.















