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Oposição já recorreu 42 vezes à PGR contra o governo Dilma

Sufocados no Congresso, opositores enfrentam o governo do lado de fora; sucesso é relativo

Brasil|Kamilla Dourado, do R7 em Brasília, e Rodolfo Borges, do R7

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Ex-líder do PSDB, Sampaio critica fiscalização feita pelo Congresso
Ex-líder do PSDB, Sampaio critica fiscalização feita pelo Congresso

Ao questionar oficialmente a parada da comitiva da presidente Dilma Rousseff em Portugal, em escala de viagem da Suíça para Cuba, e o pronunciamento na TV do então ministro da Saúde Alexandre Padilha, a oposição completou em janeiro o expressivo número de 42 representações contra o governo Dilma na PGR (Procuradoria Geral da República) desde 2011.

Feito pelo R7 com base nos dados disponibilizados pelos partidos de oposição, o levantamento leva em conta apenas requerimentos que confrontam diretamente atos de Dilma — como os pronunciamentos da presidente na tevê — ou a conduta de ministros — como na atuação durante o caso dos boatos sobre o fim do Programa Bolsa Família.

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O governo Dilma foi eleito com a maior base de apoio desde a redemocratização (402 deputados), em 1989, e, nos últimos três anos, ampliou o arco de alianças. Sem número para fazer frente ao governo no Congresso Nacional, deputados e senadores de PSDB, DEM, PSOL e PPS têm buscado o enfrentamento fora do parlamento, onde o sucesso da oposição também não é nada animador.

O partido que mais questionou decisões e ministros do governo Dilma na PGR foi o PSDB, com 30 dos 42 requerimentos apresentados pela oposição contra o governo desde 2011 — o PPS aparece na sequência, com 10 idas à PGR. Autor da maioria dos questionamentos, o ex-líder do PSDB na Câmara Carlos Sampaio (SP) reconhece que o melhor caminho para questionamentos seria o próprio parlamento fiscalizar o Executivo, mas diz que, quando não é possível, o partido recorre a órgãos fiscalizadores externos.

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— O número de deputados aliados hoje inviabiliza qualquer tipo de fiscalização contra atos do governo. O dever do Congresso, em primeiro lugar, é legislar, e, em segundo, fiscalizar os atos do Executivo. Se a gente percebe que essa fiscalização não está sendo feita de forma satisfatória pelo próprio parlamento, em razão do grande número de aliados, a gente recorre aos demais órgãos.

Enfrentamento

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Desde 2011, parlamentares de oposição representaram contra ministros como Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Maria do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Cardozo (Justiça), sempre que os auxiliares de Dilma foram envolvidos em denúncias de irregularidades. Apesar do desgaste causado durante a apresentação dos requerimentos de investigação, o fato de todos ainda estarem nos cargos mostra que o efeito da gritaria é relativo.

De todas essas representações, poucas deram resultado efetivo, mas, graças a um caso específico, não se pode dizer que elas sejam totalmente inócuas. Entre os requerimentos mais bem sucedidos estão certamente os apresentados contra o então ministro da Casa Civil Antonio Palloci, em 2011, depois de sua repentina evolução material virou capa de jornal — até o caso da quebra de sigilo do caseira Francenildo, que derrubou Palocci do governo Lula, em 2006, foi recuperado à época. Como resultado das pressões, Palocci deixou o governo Dilma em junho de 2011.

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"Marcar posição"

Autor de grande parte das ações do PSDB em Brasília nos últimos anos, Sampaio destaca que as iniciativas externas ao Congresso servem para “marcar posição”.

— No ano passado, impetramos algumas ações... Nenhuma delas teve desfecho, mas, no momento certo, nossa indignação foi materializada.

Segundo o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), as principais derrotas sofridas pela oposição ocorrem quando o governo derruba convocações de autoridades para esclarecimentos em comissões parlamentares.

— Muitas vezes, sim, lançamos mão do Ministério Público. Evoluímos para a Comissão Parlamentar de Inquérito e para a convocação de autoridade em comissões do Senado, mas a base do governo derrota a convocação. Então, se evolui para isso [buscar a PGR].

Para o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), mesmo que não surta efeito rapidamente, temos que recorrer”.

— Vamos recorrer a tudo o que puder recorrer, cabe a nós [oposição] fiscalizar, mas, no Brasil, ainda reina o imperialismo, e o governo é feito a qualquer preço e custo. Mesmo que não surta efeito rapidamente, temos que recorrer. 

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