Paes agiu em favor de Aécio no caso do mensalão quando era dirigente do PSDB, diz Delcídio
Prefeito do Rio de Janeiro teria ajudado a atrasar quebra de sigilo do Banco Rural
Brasil|Do R7

Em sua delação premiada, homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e divulgada nesta terça-feira (15), o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) assegura que o então secretário-geral do PSDB e agora prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB-RJ), agiu em favor do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na época da CPI dos Correios, que identificou o mensalão.
Eduardo Paes trocou o PSDB pelo PMDB em 2007, quando já era secretário de Turismo, Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro. Delcídio explica que, “na CPI dos Correios, na qual foi presidente, foram quebrados os sigilos fiscal e bancário de várias pessoas físicas e jurídicas, dentre elas o Banco Rural”.
— Curiosamente, quando foi feito este pedido de quebra dos sigilos do Banco Rural começou a surgir um certo incômodo por parte do PSDB. [...] O então governador [de Minas Gerais] Aécio Neves era uma dessas pessoas incomodadas com essa quebra.
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Por isso, diz o senador petista em delação premiada, “Aécio Neves enviou emissários para [pedir] que os prazos de entrega das quebras de sigilo fossem delongados, com a justificativa 'entre aspas' de que não haveria tempo hábil para preparar essas respostas".
— Um desses emissários foi o então secretário-geral do PSDB, Eduardo Paes.
Diante do pedido, Delcídio afirma que “foi convencido, achando que o pedido que fora feito era razoável e quando instado pelo Banco Rural a prorrogar o prazo de entrega concordou com o adiamento pelas razões que foram apresentadas ao declarante pelas pessoas antes mencionadas”.
Dados maquiados
Delcídio disse ainda que esse prazo extra para a entrega dos dados foi usado para maquiar as informações financeiras do Banco Rural, um dos principais agentes de financiamento do escândalo do mensalão.
Os investigadores que ouviram Delcídio relatam que “foi com surpresa que o declarante [Delcídio do Amaral] percebeu, a receber as respostas, que o tempo fora utilizado para maquiar os dados que recebera do Banco Rural”.
A transcrição da delação diz ainda que “ficou sabendo que os dados eram maquiados porque isso lhe fora relatado por Eduardo Paes [atual prefeito do Rio de Janeiro] e o próprio Aécio Neves” e que “os dados atingiriam em cheio as pessoas de Aécio Neves e Clésio Andrade, governador e vice-governador de Minas Gerais”.
No fim, Delcídio afirmou que “não tomou nenhuma Providência ao saber que os dados estavam maquiados, ou seja, ‘segurou a bronca’".
Outro lado
Por meio de nota, a assessoria de imprensa de Paes negou que ele tenha sido procurado por Aécio para pedir a postergação da quebra de sigilo bancário do Rural. A nota diz ainda que Paes desconhece que tenha havido maquiagem de dados, porque o trabalho de investigação fora acompanhado por técnicos do Tribunal de Contas da União e do Banco Central. "De qualquer maneira, quem deve esclarecimentos sobre eventuais contas no Banco Rural é o senador Aécio Neves", afirma a nota.
Aécio emitiu nota após a divulgação da delação para dizer que todas as citações de Delcídio sobre ele são "mentirosas". O senador citou o tucano em três oportunidades: sobre uma fundação que a mãe de Aécio queria criar no exterior; o suposto recebimento de propina do senador via Furnas; e no contexto da CPI dos Correios.
"O delator relaciona o nome do senador Aécio ao Banco Rural no contexto da CPMI dos Correios. O senador jamais tratou com o delator Delcídio de nenhum assunto referente à CPMI dos Correios. Também jamais pediu a ninguém que o fizesse. Nunca manteve qualquer relação com o Banco Rural, teve conta corrente na instituição ou solicitou empréstimos", afirma a assessoria de imprensa de Aécio.















