Pedir impeachment de Dilma é ‘movimento fora de hora’ e ‘procurar pelo em ovo’, dizem especialistas
Cientistas políticos descartam possibilidade após protestos de rua e boatos nas redes sociais
Brasil|Do R7*

Uma semana após Dilma Rousseff (PT) ser reeleita presidente da República, apoiadores da oposição e eleitores avessos ao PT espalharam a palavra impeachment pelas redes sociais. No último sábado (1º), um movimento que pede o impeachment de Dilma levou cerca de 1.500 pessoas as ruas de São Paulo.
Alguns manifestantes mais exaltados sugeriam até uma intervenção militar no País (assista ao vídeo abaixo). No Facebook, há outro protesto que pede o impeachment de Dilma marcado para sábado (15), com 126 mil pessoas confirmadas — boa parte não vai comparecer, claro, porque apenas visa fortalecer o movimento.
Cientistas políticos ouvidos pela reportagem do R7, porém, consideram a ideia praticamente impossível e classificam o movimento pela saída de Dilma como “fora do lugar”, uma “idiotice” e ainda “uma histeria levada ao extremo”.
O professor de ciência política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Carlos Ranulfo explica que “para ter o impeachment, tem que ter uma razão. É um crime de responsabilidade cometido pelos presidentes”.
— De todas as idiotices que circulam [nas redes sociais], o impeachment é a maior de todas. [...] De onde viria o crime de responsabilidade cometido pela Dilma? Portanto, é completamente maluco. Isso aí é a histeria levada ao extremo.
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Ranulfo lembra que, talvez, "uma ideia de daquele suposto depoimento que a revista Veja disse que o doleiro [Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato da Polícia Federal] deu, muita suposição, poderia gerar algo, mas é muita suposição”.
— Falar em impeachment hoje é realmente o cúmulo do desespero porque não tem nenhum fundamento. É um negócio patético.
João Clemente de Souza, sociólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também afasta a chance de impeachment de Dilma. Para ele, “é um movimento fora de hora, que colocaria em xeque as instituições democráticas”.
— Um impeachment seria necessário na hora que ela começasse o governo e acontecesse alguma coisa que o justificasse. As coisas que estão aí são as coisas que todo mundo já sabia, não há novidades. Eu acho que é um movimento fora do lugar. Isso é rescaldo ainda daqueles que perdem a eleição e não se conformam.
Comparação com Collor
Ambos os cientistas usam o exemplo do impeachment do ex-presidente Fenando Collor de Mello para afastar a tese agora. Clemente, do Mackenzie, diz que “cabe impeachment se ela não cumprir com as reformas que foram propostas, mas isso a gente só vai saber daqui a um ano”.
— [Na época de Collor], não havia demonstração de ódio [porque os movimentos sociais] foram consenso dos partidos, porque havia um fato concreto. Era a nação brasileira, neste momento a nação brasileira está dividida. [...] O que aconteceu [com Collor] é que havia uma corrupção do governo específico.
Clemente diz não acreditar “nesse contexto do impeachment a não ser que a gente entre numa guerra civil no Brasil, porque você vai desrespeitar as instituições”.
— Essa é a diferença com o governo do Collor, não há consenso. É um grupo focado em cima do PSDB. Eu não acredito nisso no âmbito nacional.
Ranulfo, da UFMG, utiliza não só o caso Collor como também o mensalão, ocorrido durante o governo Lula, para descartar a hipótese de impeachment.
— É diferente da época do Collor, quando havia um crime descarado. Veja bem: o mensalão não gerou o impeachment do Lula, que era muito mais complicado, agora pensar no impeachment da Dilma é procurar cabelo em ovo.
*Colaborou Naiara Araújo, estagiária do R7
Assista ao vídeo da manifestação em São Paulo:
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