PERFIL-Azarão na disputa pela Câmara, Delgado é conhecido por cassações de colegas
Brasil|Do R7
Por Eduardo Simões
SÃO PAULO (Reuters) - Candidato da "terceira via" em uma polarizada disputa pela presidência da Câmara entre PT e PMDB, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) tenta pela segunda conquistar o cargo com a marca de ser oposição no pleito.
Mineiro de Juiz de Fora, Delgado, de 48 anos, iniciará em fevereiro seu quarto mandato como deputado federal, mas começou a ganhar os holofotes bem antes, em 2005, quando relatou no Conselho de Ética da Câmara o processo que levou à cassação do mandato do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por envolvimento no escândalo do mensalão.
Mais recentemente, no ano passado, voltou a relatar um processo que levou à cassação de um colega, a do ex-petista André Vargas, acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, um dos principais nomes da operação Lava Jato, que investiga irregularidades na Petrobras.
"Ele foi relator de processos importantes e assumiu com muita transparência e coragem o papel que lhe foi dado. Inclusive foi relator do processo contra o todo-poderoso José Dirceu", disse Roberto Freire, presidente do PPS, partido que apoia a candidatura de Delgado e do qual o parlamentar mineiro já foi integrante.
Delgado foi líder do PPS na Câmara, mas deixou o partido em 2005 rumo ao PSB por, segundo seu site, "discordar dos rumos adotados" pela legenda.
Na época, o PPS deixava a base do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um grupo de parlamentares, entre eles Delgado e a ex-senadora Patrícia Saboya, ex-mulher do ex-governador do Ceará Ciro Gomes, discordou da posição e deixou a legenda criticando o que chamaram de autoritarismo de Freire.
O grupo, do qual Ciro, que à época era ministro da Integração Nacional de Lula, era o principal expoente, rumou para o PSB, que compunha a base aliada do governo petista.
"Todo processo (de troca de partido), quando você não provoca, é traumático, porque você não imaginava, não esperava", contou Freire sobre a saída do agora novamente aliado.
"Mas é natural também, ele não saiu como desafeto. Saiu respeitosamente, então também o partido manteve uma relação com ele."
Apoiam a candidatura de Delgado, além de PSB e PPS, o PV e o PSDB, o que representa 160 votos dos 513 possíveis, número próximo dos 165 que obteve em 2013, quando foi derrotado pelo atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
PSB, PPS, PV e SD buscam a formação de um bloco parlamentar no Congresso, mas para a disputa pela presidência da Câmara, o SD decidiu apoiar o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ) e criticou a candidatura de Delgado, que considera "linha auxiliar" à do petista Arlindo Chinaglia (SP), o outro nome na disputa.
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SUSTO E FUTEBOL
Com a decisão do PSB de romper com Dilma e lançar o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos à Presidência, Delgado protagonizou mais um rompimento, o da aliança entre socialistas e tucanos em Minas Gerais.
Chegou-se a cogitar a candidatura de Delgado ao governo mineiro, mas ele acabou buscando a reeleição para a Câmara e seu pai, Tarcísio Delgado, representou os socialistas na disputa terminando em uma distante terceira posição.
Após a morte de Campos em um acidente aéreo em agosto do ano passado, em plena campanha eleitoral, Delgado disse ter perdido "um irmão". Após o trauma da morte de Campos, o deputado sofreu um susto já neste ano, durante campanha para o comando da Câmara, quando o avião que o levaria a Porto Alegre teve de fazer um pouso de emergência na cidade vizinha de Canoas.
Torcedor do Fluminense, Delgado é conhecido também por organizar partidas de futebol entre os deputados, algumas delas beneficentes, com a arrecadação de alimentos para entidades que cuidam de pessoas carentes.
"Nós organizamos esse futebol há mais de 10 anos e a gente diz que eu sou dirigente, cartola, capitão", disse o deputado ao promover uma das partidas beneficentes.
Tentará agora capitanear a Câmara pelos próximos dois anos.















