PERFIL-Luiz Henrique tenta surpreender para concluir carreira política com um sonho
Brasil|Do R7
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA (Reuters) - O senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) se considera um político realizado, mas se lançou ao que pode ser um último desafio antes de deixar a vida de parlamentar: vai disputar a presidência do Senado, enfrentando um cacique da sua legenda.
Aos 74 anos, o senador catarinense que recentemente disse que precisava praticar a "netoterapia", embarcou em uma candidatura classificada por ele e por aliados como de renovação, não de oposição.
"A presidência do Senado é um sonho político que ele tem", disse um auxiliar próximo à Reuters, sob condição de anonimato.
Uma vitória de Luiz Henrique na disputa pela presidência do Senado contra o colega de bancada e presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), seria uma surpresa, menos para seu gabinete que já contabilizava 45 votos a seu favor na noite quinta-feira.
Em Santa Catarina, Luiz Henrique é considerado um negociador hábil, que alterna estratégias arrojadas com jogadas pacientes quando quer atingir um objetivo. Ele costuma se gabar de nunca ter ficado sem mandato eletivo por 40 anos e perdeu apenas uma eleição, para prefeito de Joinville, cidade onde construiu sua carreira política, na década de 1990.
Um ex-aliado catarinense e hoje adversário feroz, porém, diz que o senador é egoísta em seus objetivos e oportunista, mudando de lado conforme a conveniência. "É um político decadente, individualista, mas que tem muita sorte", resumiu o detrator à Reuters, sob condição de anonimato.
Essa fonte conta ainda que durante a eleição do ano passado a presidente Dilma Rousseff procurou o senador e lhe pediu ajuda no segundo turno para coordenar sua campanha em Santa Catarina e ouviu uma condição do outro lado da linha.
"Ele disse que a apoiaria, mas queria receber a garantia de que o governo retribuiria o favor apoiando-o para a presidência do Senado. Dilma afirmou, do jeito dela, que não tinha como firmar o compromisso a não ser que o PMDB o indicasse para o cargo. E Luiz Henrique então não aceitou o convite", segundo relato do adversário.
A assessoria do peemedebista nega o contato e diz que a presidente não conseguiu falar com o senador e que nunca houve essa proposta.
Luiz Henrique apostou todas as fichas na vitória do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa pela Presidência da República, segundo o auxiliar próximo. Agora, o tucano está a seu lado na disputa contra Renan.
Mas quem aposta que o blumenauense, casado, pai de dois filhos e avô de três netos, se transformará num presidente rebelde em relação ao governo pode estar errado. Luiz Henrique é visto no Palácio do Planalto como um aliado confiável.
Ele foi relator de duas matérias consideradas espinhosas no Senado, o Código Florestal e um projeto que mudou o indexador da dívida dos Estados, e foi descrito por um ministro como "um construtor de pontes". O catarinense também foi um dos poucos parlamentares convidado por Dilma para acompanhá-la a uma viagem internacional.
"Nos últimos quatro anos ele nunca gerou problemas para o governo", afirmou esse ministro, sob condição de anonimato.
Luiz Henrique também é a favor de uma ampla reforma política e defende, assim como Dilma, o fim do financiamento empresarial das campanhas políticas.
O senador nunca esteve em outro partido que não o PMDB e sempre foi identificado com o grupo dos autênticos, que era o mais radical contra o regime militar no Congresso, quando conviviam o MDB e a Arena.
Desde aquela época, Luiz Henrique sempre teve um mestre na política: o deputado Ulysses Guimarães, ícone da redemocratização no Brasil, morto na queda de um helicóptero em 1992.
Ainda hoje, segundo relato do auxiliar do senador, Ulysses é fonte de inspiração para o catarinense.
"Ele às vezes sonha com o cotidiano da política, e Ulysses aparece apontando caminhos", conta o auxiliar de longa data, relatando um fato conhecido por inúmeros peemedebistas.















