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Petrobras planeja rara emissão de bônus de 100 anos em dólares

Brasil|Do R7

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras planeja uma rara emissão de bônus de 100 anos nesta segunda-feira, a primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato, informou o IFR, serviço da Thomson Reuters.

A companhia estabeleceu uma orientação para o rendimento da emissão em dólares em 8,55 por cento --ante 8,85 por cento inicialmente considerados--, com variação de 10 pontos básicos para mais ou para menos, segundo fontes do mercado, para a emissão de bônus denominada em dólares, registrada na Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos.

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O Deutsche Bank e o JP Morgan são os coordenadores da transação.

"A ideia é fazer um movimento ousado", afirmou uma fonte do setor bancário. "Fazer algo que só tem sido feito por um seleto grupo mostra força."

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O México foi o único nos últimos anos, fora da América Latina, que tentou uma emissão de 100 anos.

O negócio é a primeira emissão de bônus em dólares da companhia desde março de 2014, segundo dados do IFR, quando ela fez uma emissão em seis tranches de 8,5 bilhões de dólares.

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Os spreads dos títulos da Petrobras aumentaram ligeiramente após o novo anúncio da emissão.

A Petrobras não respondeu imediatamente o pedido de comentários da reportagem da Reuters.

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O analista da corretora Spinelli Elad Revi afirmou que a iniciativa mostra uma maior receptividade do mercado em relação à companhia. Mas, em sua avaliação, as condições da emissão não ainda não são tão atrativas.

"Taxas de mais de 8 por cento em dólar são taxas elevadas", afirmou Revi, ao ser consultado pela Reuters, frisando ainda que a empresa está aumentando ainda mais seu endividamento, enquanto precisa reduzir seus indicadores de alavancagem.

Em março, o Conselho de Administração da petroleira havia autorizado que a estatal fizesse captações de até 19,1 bilhões de dólares líquidos em recursos ao longo de 2015.

Depois disso, a empresa contratou uma série de financiamentos com diversos bancos e informou em abril que já havia coberto necessidades para este ano. Entretanto, que continuaria a avaliar oportunidades de financiamento visando antecipar parte das necessidades de 2016.

"O fato de ela vir realmente a emitir bônus dessa natureza, mesmo depois de ter falado que já tinha cumprido suas necessidades (de financiamentos), mostra uma certa instabilidade para com o plano de negócios da companhia", afirmou Revi.

As agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch classificaram a emissão da Petrobras em "BBB-", mesmo rating dado à estatal, conforme comunicados de imprensa publicados nesta segunda-feira.

"Esperamos que a empresa use os recursos para propósitos corporativos gerais, incluindo o financiamento de seu plano de investimentos", afirmou a S&P, em seu comunicado.

"O nosso rating corporativo 'BBB-' na Petrobras reflete nossa visão de que há uma probabilidade 'muito alta' de que o governo brasileiro poderia fornecer apoio extraordinário e suficiente para a empresa no caso de crise financeira."

A Fitch também destacou que os ratings da Petrobras "continuam a refletir a sua estreita ligação com o rating soberano do Brasil devido ao controle do governo sobre a empresa e sua importância estratégica para o Brasil com seu quase monopólio no fornecimento dos combustíveis líquidos".

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(Por Davide Scigliuzzo, Paul Kilby, John Balassi, com reportagem adicional de Marta Nogueira)

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