“PF investigaria protestos em SP se houvesse dano ao patrimônio federal”, diz superintendente do órgão
Após pedido do ministro da Justiça, Roberto Troncon diz que existe acordo com PM do Estado
Brasil|Alexandre Saconi, do R7

O superintendente da PF (Polícia Federal) em São Paulo, Roberto Ciciliati Troncon, afirmou nesta quinta-feira (13), em entrevista exclusiva ao R7, que o pedido do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para monitorar as manifestações contra o aumento do preço da passagem em São Paulo, foi mal interpretado.
Na última quinta-feira (12), o ministro da Justiça afirmou que a apuração e investigação de eventuais crimes e danos "são da órbita da polícia estadual". Troncon explicou que a PF não vai investigar os confrontos entre manifestantes e a Polícia Militar e os danos aos prédios públicos porque nenhum órgão federal foi depredado.
— Nesses eventos recentes, que ocorreram aqui na cidade de São Paulo, não houve nenhum caso de dano ao patrimônio público federal. [Caso houvesse], a investigação seria da Polícia Federal.
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O superintendente da PF foi recebido ontem na sede da Rede Record em São Paulo pelo presidente Alexandre Raposo; o Diretor Executivo Nacional de Relações Institucionais, Zacarias Pagnanelli; o Diretor Geral de Novas Mídias, Antônio Guerreiro; e pelos jornalistas Leandro Cipoloni e Percival de Souza. Troncon estava acompanhado da diretoria da PF, composta pelo diretor geral da PF, Leandro Daiello; chefe de comunicação da PF de Brasília, Humberto Prisco; e a chefe de comunicação da PF de SP, Patricia Zucca.
Segundo o delegado, o pedido feito pelo ministro ocorreu devido a um acordo de cooperação na área de segurança pública realizado entre o governo federal e o estadual em 2012. Segundo este documento, órgãos estaduais e federais atuam de maneira conjunta para melhorias diretas na segurança. A intenção do ministro Cardozo não seria interferir na atuação da PM, a quem cabe a repressão da violência, mas a cooperação.
— Por ter este acordo, o ministro demandou à Polícia Federal, para saber como nós estávamos agindo, se havia demanda para a PF atuar, com a única preocupação de ser fiel ao acordo firmado em dezembro. Além de colaborar com o que fosse possível e legalmente permitido, com as forças de segurança estaduais.
Troncon relembra que a PF interage quase que diariamente com os órgãos estaduais, por meio de um grupo gestor, criado por decreto do governo de SP. Este grupo é o responsável por passar as informações sobre as manifestações à cúpula da PF.
— A informação que nos foi passada é que este movimento, em tese estudantil, acabou desaguando na desordem. Mas a Polícia Militar, que tem a atribuição para agir, agiu corretamente e na medida, e a Polícia Civil, por seu turno, instaurou as investigações para investigar os crimes. Até o momento, não há nenhuma motivação legal para a atuação da PF.
O superintendente aproveitou para apontar a disposição em trabalhar de maneira conjunta com as forças locais na contenção da violência quando solicitado.
— Havendo a possibilidade de cooperar, nós estamos prontos, e estamos cooperando.
Em outra oportunidade, Troncon negou que a Força Nacional de Segurança tenha sido destacada para atuar no Estado de SP para conter o vandalismo.
— A Força Nacional só pode ser acionada quando o governador pede. Não posso me imiscuir na competência estadual. Até o momento, os fatos configuram ilícitos cuja investigação é das polícias estaduais.















