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PF não encontra substâncias que apontem envenenamento de Jango

Ex-presidente morreu em dezembro de 1976 durante exílio na Argentina

Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

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Restos mortais de Jango foram exumados em novembro de 2013
Restos mortais de Jango foram exumados em novembro de 2013

O resultado do laudo realizado nos restos mortais de João Goulart não identificou substâncias que apontem o envenenamento do ex-presidente. No entanto, pelo tempo decorrido, os peritos não puderam afirmar se Jango foi envenenado ou se morreu em decorrência de um ataque cardíaco.

De acordo com a PF (Polícia Federal) a análise do material não encontrou vestígios de que Jango tenha sido envenenado, como suspeitava a família. Segundo o perito da PF responsável pelas investigações, Jeferson Evangelista Correa, os resultados dos exames toxicológicos não apontam o envenenamento.


— Não se encontrou nessas amostras examinadas nenhuma substância tóxica ou medicamentosa que pudesse ter causada a morte. 

No entanto, o especialista não descartou a possibilidade de que Jango tenha sido envenenado. 


— Os resultados de todos os nossos exames podem concluir que os dados clínicos, as circunstâncias relatadas pela esposa relativamente ao dia e ao momento da morte são compatíveis com morte natural. O infarto agudo do miocárdio pode ter sido a causa da morte do presidente conforme foi registrado no certificado de óbito, na declaração de óbito emitida na Argentina? Sim. Como poderia ter sido causada por outras patologias cardíacas, ou até mesmo por patologias cérebro-vasculares. Contudo, também não é possível negar que a morte tenha decorrido por envenenamento tendo em vista as mudanças químicas e físicas que o corpo exumado sofre ao longo de 37 anos.

João Goulart faleceu em dezembro de 1976, durante exílio na Argentina, há 38 anos. Os restos mortais de Jango foram exumados em novembro do ano passado, em São Borja (RS), sua cidade natal, a pedido da CNV e trazidos para Brasília para serem examinados pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF.


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O corpo de Jango não passou por autópsia e o único registro na certidão de óbito relata que o ex-presidente teria morrido em decorrência de uma doença. As amostras foram enviadas a laboratórios estrangeiros que realizaram os testes toxicológicos. Durante 12 meses foram realizados exames que pudessem dizer se o ex-presidente morreu por causas naturais ou se foi assassinado.


O trabalho foi acompanhado por peritos da Argentina, do Uruguai e de Cuba, representantes da Cruz Vermelha, do Ministério Público Federal e pela família de Jango.

A CNV e a SDH acreditam que João Goulart foi monitorado pela Operação Condor, um plano de apoio mútuo entre as ditaduras do cone sul, usado para eliminar adversários políticos destes regimes.

Durante as investigações foram levantadas informações em hospitais da Argentina e Uruguai. Parentes de João Goulart também foram ouvidos para saber se os hábitos de vida do ex-presidente podem ter acarretado sua morte.

A PF entregou à SGH mais de 10 anexos com os dados coletados e com as etapas da perícia. A ministra-chefe da SDH, Ideli Salvatti, agradeceu as equipes dos peritos e informou que o laudo será revisado pelos familiares de Jango e que o processo ficará sob a guarda da PF. A ministra ainda explicou que as investigações continuam e que há processos abertos no Ministério Público Federal e na Argentina.

— Este laudo é parte de um processo de exumação não dos restos mortais de uma pessoa, mas é a exumação da história do nosso Pais e inclusive do resgate da pessoa, do significado e da importância que teve o presidente João Goulart para o nosso País. Concluir esta etapa é concluir uma etapa do processo investigatório.

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