PMDB antecipa sucessão na presidência da Câmara para pressionar PT e governo
Líder do partido na Casa, deputado Eduardo Cunha, deve disputar o cargo contra petistas
Brasil|Do R7
A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados aclamou nesta quarta-feira (29) seu líder, Eduardo Cunha (RJ), como candidato à presidência da Casa, três meses antes da eleição, em um movimento que pode pressionar o PT e o governo a aceitar a candidatura do peemedebista, desafeto político do Planalto.
A eleição para presidente da Casa só ocorrerá em fevereiro de 2015, quando os novos deputados tomam posse.
A estratégia da bancada peemedebista da Câmara ocorre à revelia da cúpula do PMDB e visa a atrair partidos de oposição, em meio a um clima de insatisfação entre o governo e a atual legislatura. Além de não ter a simpatia da presidente reeleita Dilma Rousseff, Cunha não cultiva boas relações com o vice-presidente Michel Temer, que também preside a legenda.
Até agora, governo e PT, que terá a maior bancada da Câmara em 2015, estão apenas assistindo aos movimentos de Cunha, o que pode colaborar com sua estratégia de pavimentar o terreno para a candidatura até um ponto irreversível.
Deputados peemedebistas descartam manter o acordo que tinham com os petistas até agora, que previa um rodízio no comando da Câmara. Com base nesse acerto, seria a vez do PT apontar um candidato à presidência com o apoio do PMDB.
Após uma reunião da bancada nesta quarta, Cunha disse que não acredita que uma candidatura do PT tenha força para vencer.
O deputado peemedebista Danilo Forte (CE) afirma, no entanto, que a candidatura de Cunha não será de oposição.
— Nós vamos tentar construir um consenso com o governo e com o PT", disse à Reuters após a reunião da bancada. Nosso desejo não é o do confronto.
O deputado afirmou, no entanto, que se não for possível construir essa unidade em torno da candidatura de Cunha, ele pode virar candidato de oposição ao governo.
— Pode ser de oposição, se não construir um entendimento com o PT.
Agonia distante
Uma fonte próxima a Temer afirmou não ter dúvidas de que Cunha está trilhando o caminho para uma candidatura de oposição e que o vice-presidente não tem sido sequer consultado sobre os movimentos da bancada.
Segundo essa fonte, que falou sob condição de anonimato, não haveria movimentos de reação do governo até o momento e nem da presidente. Dilma não teria pedido a intervenção de Temer na disputa, acrescentou a fonte.
No Palácio do Planalto o tema é tratado com pouca intensidade por enquanto, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters nesta quarta e com conhecimento das negociações com o Congresso.
Uma delas disse que essa é uma "agonia" que não chegou ao governo ainda e que a eleição está muito distante para qualquer negociação sobre sucessão.
A outra afirmou que o único caminho que se vislumbra, nesse momento, para tirar Cunha do caminho é revitalizar o acordo entre PT e PMDB na sucessão da Câmara.
Sabendo da resistência que enfrentará do governo e do PT, Cunha tem procurado líderes de bancadas aliadas insatisfeitas com o governo e de partidos de oposição para garantir apoio ao seu projeto, numa tentativa de sobreviver à pressão que virá pela frente.
Um deputado petista experiente disse à Reuters, porém, que o peemedebista pode sofrer os efeitos de antecipar o processo eleitoral e negociar com bancadas que não representam a configuração da Câmara no próximo ano.
"Ele está sendo esperto, mas não inteligente. Está tentando criar um clima de abafa. Mas o jogo ainda não começou e ele pode se cansar antes do início da partida", afirmou o deputado à Reuters sob condição de anonimato.
Esse petista reconhece que tanto o governo quanto o PT estão inertes nesse momento, mas avalia que esse é "um quadro temporário" e que no momento certo o partido agirá, talvez nem apoiando uma candidatura própria. Mas, certamente, contra Cunha. Já Forte não considera a estratégia errada.
— Nós posicionamos nossas peças já no tabuleiro, antes que tirassem o tabuleiro do lugar.
Oposição e PSB
Os partidos mais articulados da oposição na Câmara, PSDB, PSB e DEM ainda não fecharam suas estratégias para a sucessão na Câmara.
PSDB e DEM cogitam lançar uma candidatura, mas podem aderir a Cunha, caso ele se transforme num candidato de oposição ao governo. O líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), é um dos cotados para concorrer.
O PSB, que pretende ficar na oposição no Congresso no ano que vem, pensa em lançar um candidato também para marcar posição e demonstrar que não fará oposição atrelada às pautas do PSDB e do DEM.
Se isso ocorrer, o nome mais forte da bancada seria o deputado Júlio Delgado (MG), que já concorreu na eleição passada à presidência da Casa.















