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PMDB não será apêndice ou escada, diz presidente estadual da legenda

Rossi disse que partido terá candidato ao governo de SP em 2014

Brasil|Filippo Cecilio, do R7

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O PMDB conhecido por compor a base aliada de qualquer governo, com qualquer orientação ideológica, não existe mais. Ao menos é isso que afirma o presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado Baleia Rossi.

Em entrevista exclusiva ao R7, Baleia fala sobre o desempenho do partido nas últimas eleições, a participação do PMDB nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Fernando Haddad (PT), a tendência a apresentar candidaturas majoritárias e sobre a ascensão política do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP), que disputou as últimas eleições municipais em São Paulo.


Confira abaixo a íntegra da conversa com Baleia Rossi:

Como o senhor avalia o resultado das últimas eleições?


Foi um resultado muito positivo. Elegemos 90 prefeitos em todo o Estado. E temos cinco companheiros que ganharam a eleição, mas que estão com pendência em registro de candidatura. Mas só esse resultado já foi excelente. Foi um crescimento de mais de 30%. Passamos de 52 vices para 80 e de 62 prefeitos para 90.

Além disso, tivemos o Chalita. Fizemos dele candidato a prefeito na capital e foi muito positivo o saldo para o PMDB e para o próprio Chalita, que deixou de ser um deputado federal e passou a ser uma das principais lideranças do Estado e do próprio PMDB. E conseguimos quatro vereadores novos na capital, que é Câmara Municipal mais importante do País.


Há 16 anos o partido não tinha candidato próprio em São Paulo. Pretendem manter essa tendência?

É a tendência do partido. Não queremos que o PMDB seja apêndice ou escada para nenhum outro partido. A possibilidade de disputar uma eleição majoritária sempre é positiva para o PMDB e para qualquer partido. Você só vai crescer se tiver oportunidade de disputar a eleição majoritária. Hoje é consenso no partido isso.


Muito tem se falado de uma renovação na política. Fernando Haddad se elegeu com essa bandeira e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já cobrou publicamente uma renovação do PSDB. O senhor concorda com essa tese?

Nessa eleição a palavra chave foi renovação. Mas é aquela história do engenheiro de obra pronta: depois que abriram as urnas, todo mundo fala de renovação. Mas isso não é o essencial. Claro que dar oportunidade para novas lideranças é fundamental, mas nós também respeitamos muito as lideranças mais tradicionais do partido. O resultado mostrou que o povo queria renovação e mudança também. Nem sempre a mudança gera renovação.

O partido apresentará candidatura própria para o governo do Estado em 2014?

O PMDB quer candidatura própria. O PMDB trabalha com essa ideia. É um consenso hoje dentre os membros do partido que teremos candidatura própria em 2014. Até porque, nós vimos que, ao disputar a eleição de 2012 em grandes municípios do Estado o partido se fortaleceu. E vamos com candidatura própria para ganhar a eleição.

Queremos fazer com que o PMDB volte a ter bancadas fortes tanto no legislativo federal quanto no estadual. Nas últimas eleições tivemos um desempenho aquém do nosso potencial. Em 2010, elegemos apenas um deputado federal e cinco estaduais

O deputado federal Gabriel Chalita é o nome do partido para a disputa?

Temos a pré-candidatura do Paulo Skaf já colocada no partido. Mas é claro que o Chalita saiu forte da eleição municipal, mas preferimos agora não falar em nomes. Não podemos fazer um projeto de pessoas, temos que fazer um projeto de partido. Se começarmos a antecipar uma questão do partido, acaba enfraquecendo ao invés de somar forças. Não podemos agora dividir o partido.

Há algum argumento ou negociação que possa fazer o PMDB rever essa posição?

O trabalho é pela candidatura a governador. Não temos o que negociar. Se não tiver candidatura majoritária o partido perde força e todo o esforço que fizemos em 2012 acaba não refletindo em 2014.

Após apoiar Fernando Haddad no segundo turno, que posição o partido espera ocupar no próximo governo?

É claro que apoio do PMDB ao Haddad foi importante, o PT reconhece que isso foi extremamente importante. Mas sabemos que foi um apoio de segundo turno, não foi uma composição de primeiro turno. Não temos por enquanto nenhuma sinalização, nenhuma conversa de participação em governo. Ainda não se debateu isso. Não fizemos o apoio com base em participação de governo.

Mas vocês têm interesse em participar?

Se isso acontecer naturalmente, sim. Mas o PMDB não vai exigir espaço. Se dentro da composição o PMDB tiver algum espaço, muito bem

Parece natural que tenha.

Acredito que sim

Quais pastas interessam ao PMDB?

Como não discutimos isso internamente e nem com o próprio PT, é precipitado falar que o PMDB quer isso ou aquilo. Não é uma situação que vai ocorrer agora, mas sim mais para frente. O Chalita, claro, vai ter uma participação importante nessas conversas, mas no momento certo. Agora é precipitado.

O partido já discutiu os nomes que pretende apresentar ao prefeito eleito?

Não. Ainda não teve nenhuma discussão. Tudo que foi dito até agora do PMDB foi mera especulação. Nenhum dos nomes ou pastas quer foram colocados foi discutido.

Nem mesmo Marianne Pinotti, cotada para assumir a Secretaria de Saúde?

Marianne teve uma participação muito importante na campanha do Chalita e do PMDB, é uma pessoa absolutamente preparada. Mas não é que não se falou no nome dela, não se falou no nome de ninguém. Como se pode discutir nomes se você não tem nem um expectativa real de ocupar algum espaço?

Mas então o partido vai ficar apenas esperando Haddad se posicionar?

Não vamos debater nomes sem que ocorra um amadurecimento dessa conversa e sem que essa conversa efetivamente aconteça. Não podemos antecipar isso. Corremos o risco inclusive de queimar nomes importantes do partido. Se depois não acontece, fica a impressão que um ou outro foi derrotado, o que não é verdade, porque nem estava disputando.

O PMDB já foi procurado pro Haddad para iniciar essas conversas?

Não está marcado nada, mas deve ocorrer proximamente.

O jantar que ocorreu em Brasília com a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer serviu para fechar a chapa na disputa presidencial de 2014?

Está muito consolidada a situação do PMDB na vice do PT nacionalmente e muito consolidado dentro do PMDB o nome do Michel. A figura do Michel como vice tem total apoio dos Estados e dos membros do PMDB.

Mas e o episódio do prefeito carioca Eduardo Paes, que indicou o governador Sérgio Cabral para o cargo?

Foi um episódio isolado que foi absolutamente superado.

A manifestação dele sinaliza uma divisão entre o PMDB do Rio e de São Paulo?

Ao contrário. Eles estiveram com o Michel, almoçaram. Houve um equívoco ali. Era uma coisa mais informal que acabou virando um fato político isolado. O Cabral falou claramente que apoia o Michel e que está junto nessa caminhada.

Chalita é cotado para assumir um ministério. O quanto há de verdade nisso?

Chalita está muito bem, crescendo, tem uma posição de destaque agora. O ministério é mais para o ano que vem. Não vai ser discutido agora. Não posso falar do que vai acontecer em janeiro ou fevereiro. Mas para o PMDB de SP, se ele for ministro será muito importante. Não tem nada de concreto nisso, mas é claro que vemos com bons olhos .

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