Preferir o barulho da rede social ao ensurdecedor silêncio de estar só oferece perigos a usuários de redes
Com as presenças dos especialistas Danilo Gabas e Ale Esclapes, a Ansiedade Algorítmica é tema do Estúdio News desse sábado (26)
Brasil|Do R7

O fato de as redes sociais e aplicativos de mensagens facilitarem nossa comunicação pode trazer consequências para grande parte das pessoas, sendo que muitas delas acabam aumentando seu nível de ansiedade e estresse.
Na maioria das vezes, quem passa por um quadro de ansiedade não consegue perceber sozinho, pois ela começa “pequeninha”, segundo Ale Esclapes, psicanalista e diretor da EPP (Escola Paulista de Psicanálise) e do Instituto Ékatus.
O primeiro passo para entender se você ou alguém próximo está passando por um quadro de ansiedade é prestar atenção no que está em excesso e fazendo mal.
Danilo Gabas, psicólogo da Faculdade de Ciências da Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Bauru, destaca que o Brasil se configura hoje como o país, no mundo, que mais tem a população ansiosa.
“[Ao todo,] 9,3% dos brasileiros sofrem com o transtorno de ansiedade crônico, ou seja, que têm uma alteração importante na funcionalidade e, no top 10, está em 7ª posição mundial em prevalência de transtorno depressivo. Esse aumento de ansiedade no nosso país, em nível mundial, é importante para ser discutido. As redes sociais com certeza fazem parte desse processo por serem um fator de risco”, adverte o especialista.
A felicidade é um dos principais sentimentos exibidos nas redes, mas Esclapes pontua que a vida não é de momentos felizes o tempo todo. Além disso, mostrar aquilo que você não é pode criar uma crise de despersonalização, situação que pode se agravar em relação aos adolescentes, revela o psicanalista.
“Na adolescência, quando as emoções estão muito à flor da pele, as redes sociais amplificam muito isso, é muito comum confundir like com amor e seguidores com amigos. Essa confusão é muito comum em todas as faixas etárias e principalmente na adolescência, na qual uma crítica ganha dimensões estratosféricas para um adolescente”, explica o especialista.
A nomofobia, medo irracional de ficar sem o seu celular, e a síndrome de FOMO (o medo de ficar de fora), comum entre os jovens, são ocasionados pelo uso excessivo do aparelho celular e das redes sociais.
“Se pararmos para pensar como nossa vida está atrelada às redes sociais, como estamos sujeitos aos algoritmos que essas redes sociais têm dentro da construção delas, a gente consegue entender um pouco das fobias associadas a esse uso”, diz Danilo Gabas.
Saindo um pouco das redes sociais, outra questão atrelada aos sintomas de ansiedade está no uso de dispositivos de mensagens, completa Ale. “A pessoa manda uma mensagem e quer a resposta na hora, no mesmo momento, ou seja, temos uma diminuição da capacidade de espera, temos a diminuição da tolerância. O outro vai ter um tempo diferente de mim, vai ter o tempo dele para resolver, ele não está à minha disposição”, explica.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h30. A Record News é sintonizada pelos canais de TV fechada 586 Vivo TV, 14 Oi TV, 578 Claro, 419 Sky e 2038 Samsung TV Plus, além do canal 42.1 em São Paulo e demais canais da TV aberta em todo o Brasil.















