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Presidente da Comissão de Impeachment diz que não pode tratar senadores como 'alunos em sala de aula''

Mais uma vez, sessão é marcada por bate-boca entre governistas e oposicionistas

Brasil|Mariana Londres, do R7, em Brasília

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A temperatura continua elevada nas sessões da Comissão do Impeachment no Senado Federal. Nesta quarta-feira (4), a leitura do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) começou mais de uma hora depois do início dos trabalhos. O atraso ocorreu porque os senadores governistas apresentaram questões de ordem, o que irritou os oposicionistas.

O presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), chegou a dizer que não podia tratar senadores como alunos em uma sala de aula. Lira havia sido questionado pelo senador da oposição Ronaldo Caiado (DEM-GO) por ter dado mais tempo e analisado questão de ordem apresentada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Caiado reclamou que se tratava de questão já apresentada e superada pela comissão.


— São dez questões de ordem sobre o mesmo tema. A base quer fazer esse mimimi para suspender o processo.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que em sessões anteriores quase saiu no tapa com Caiado, teve uma discussão desta vez com outro oposicionista, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), com acusações mútuas. O bate-boca levou à suspensão da sessão por dois minutos.


O clima de sala de aula descrito pelo senador Lira pode de fato ser observado dentro da comissão. A tropa de choque da presidente Dilma Rousseff faz a lição de casa: chega cedo para garantir a fala, senta nas primeiras filas, estuda possibilidades de barrar o processo.

Entre os senadores oposicionistas também há os que chegam cedo para garantir a palavra. Nas primeiras sessões da comissão, chegou a ter briga por causa da lista de inscrição, que determina a ordem das falas.


A tropa de choque de Dilma na comissão é formada pelas senadoras Gleisi Hoffmann,Vanessa Grazziotin (PCdo B- AM), que sempre sentam juntas, e pelo senador Lindbergh Farias. A petista Fátima Bezerra (PT-PB) também defende a presidente, mas tem atuação menos contundente e se senta no fundo da comissão.

Em todas as sessões, as discussões entre os senadores ocorrem pelo mesmo motivo: a tropa de choque da presidente Dilma apresenta questões de ordem e os senadores oposicionistas reclamam que as questões de ordem são meramente protelatórias.


Questões de ordem são dúvidas colocadas pelos senadores durante qualquer fase da sessão, a respeito de interpretação ou aplicação do Regimento do Senado. Trata-se de um instrumento legítimo ao qual os senadores recorrem o tempo todo.

Na sessão desta quarta a senadora Gleisi Hoffmann apresentou questão sobre o fato do relator ter se ausentado durante um depoimento em sessão anterior. A questão foi considerada improcedente pela presidência da Comissão. Após o presidente falar que não acataria mais nenhuma questão de ordem, Gleisi gritou mesmo com o microfone cortado para pedir a palavra.

— Isso aqui é um jogo de cartas marcadas.

Quando não consegue falar, a base alega que o direito de defesa e de debate está sendo cerceado na comissão.

Na sessão desta quarta, o senador Magno Malta (PR-ES) pediu a palavra em tom apaziguador.

— Vamos acalmar os ânimos e ter um espírito melhor do que o do espírito de porco.

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