Presidente do PT faz defesa contida de ex-ministro José Dirceu
Reação de integrantes do partido contrasta com manifestações feitas em 2013
Brasil|Do R7, com agências

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu nesta terça-feira (4) o combate à corrupção, mas fez críticas à condução das investigações da Operação Lava Jato, afirmando que o partido está sendo prejudicado no processo.
— O combate implacável à corrupção deve continuar, mas não de forma seletiva, sem o espetáculo midiático, não com a inversão do ônus da prova, não com prisões preventivas sendo objeto de coação para forçar delação.
As declarações do presidente do PT ocorrem um dia após a prisão de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente do próprio PT, no âmbito da Lava Jato.
Assim como ocorreu na terça-feira, quando o partido não mencionou o ex-ministro em nota sobre os desdobramentos da Lava Jato, Falcão não fez uma defesa efusiva de Dirceu.
Ele, porém, negou que o PT tenha abandonado o ex-ministro.
— Não estamos abandonando nenhum companheiro. Mas, independentemente disso, não se deve presumir a culpa. Para mim, qualquer pessoa que seja acusada, não só o Zé Dirceu, é inocente até que se prove o contrário.
Em entrevista coletiva à imprensa na sede do partido em Brasília, Falcão preferiu preservar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Prossegue a escalada dirigida por setores conservadores, pela mídia monopolizada, por alguns partidos da oposição, tentando, como sempre, criminalizar nosso partido, de modo a fragilizar o governo da presidenta Dilma e atingir a popularidade do [ex-]presidente Lula.
A reação do partido contrasta com o posicionamento que seus integrantes assumiram em 2013, após a primeira prisão de Dirceu, por conta do processo do mensalão.
Na entrevista, Falcão informou que o mês de agosto terá uma série de manifestações de rua com participação do PT, como a Marcha das Margaridas (caravana de trabalhadoras rurais rumo a Brasília), dias 11 e 12 de agosto, e o Ato Nacional pela Educação, dia 14 de agosto, que deve ter com a presença de Lula.
Já a manifestação pró-impeachment que deve acontecer no dia 16 foi minimizada por Falcão.
— É um direito que eles têm de fazer as manifestações. Espero que transcorra sem violência, sem depredações.















