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Propina em Pasadena poderia chegar a US$ 100 milhões, segundo delator

Funcionário subordinado a Nestor Cerveró informou quantia em delação premiada da Lava Jato

Brasil|Do R7

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Subordinado de Nestor Cerveró (foto) disse que propina chegaria a US$ 100 mi
Subordinado de Nestor Cerveró (foto) disse que propina chegaria a US$ 100 mi

A propina na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), poderia chegar à cifra de US$ 100 milhões (R$ 381 milhões). A informação é do novo delator da Operação Lava Jato, Agosthilde Mônaco de Carvalho, subordinado ao ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró — principal responsável pelo negócio.

Carvalho declarou ao Ministério Público Federal que Alberto Feilhaber, um ex-executivo da Petrobras que havia se tornado representante da trading Astra Oil, disse ao engenheiro Carlos Roberto Barbosa — funcionário da Petrobras cedido à PAI (Petrobras America Inc) — que estaria disposto a pagar entre US$ 80 milhões (R$ 305 milhões) e até US$ 100 milhões (R$ 381 milhões) "para resolver definitivamente" litígio em arbitragem relativa à Pasadena — a demanda se arrastava havia dois anos.


Segundo ele, o auge da disputa ocorreu entre 2010 e 2012.

Compra de Pasadena pode ser cancelada pela Petrobras


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Na última segunda-feira (16), a PF (Polícia Federal) deflagrou a Operação Corrosão, 20ª fase da Lava Jato. A nova etapa da investigação mira em Pasadena, caso emblemático da corrupção instalada na Petrobras. Segundo o Tribunal de Contas da União, a compra da refinaria causou um prejuízo de US$ 792 milhões (mais de R$ 3 bilhões).


O litígio envolveu a compra da segunda metade da refinaria da Astra — negócio iniciado em 2005 por Cerveró. Tanto Carvalho como outro delator da Lava Jato, Fernando Baiano, confessaram terem participado da movimentação de propina de US$ 15 milhões, na primeira etapa do negócio, envolvendo a compra de 50% da unidade da antiga dona, a Crown.

Na ocasião, Mônaco de Carvalho exercia a função de assistente do diretor da Área Internacional — cadeira que ocupou entre 2003 e 2008.


— Após o início do processo de arbitragem, o declarante [Mônaco de Carvalho] recebeu a visita do sr. Alberto Failhaber na BR Distribuidora.

A visita, segundo o delator, ocorreu pouco antes da data designada para o depoimento do então diretor de Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, nos Estados Unidos.

— Neste dia, o sr. Alberto Failhaner pediu a Cerveró para 'dar uma força' junto ao diretor Zelada [Jorge Zelada, sucessor de Cerveró na Internacional], auxiliando no fechamento de um acordo, pois a Astra estava precisando de dinheiro. Nestor Cerveró disse que não teria condições de ajudar; que, posteriormente, no auge da disputa em litígio nos Estados Unidos o engenheiro Carlos Roberto Barbosa disse ao declarante [Mônaco de Carvalho] que o sr. Alberto Failhaber estaria disposto a pagar a quantia variável de US$ 80 milhões e US$ 100 milhões para resolver definitivamente o problema.

Mônaco de Carvalho disse que "em uma viagem de rotina" ele tomou conhecimento que a Astra Oil teria adquirido uma refinaria em Pasadena e que "um ex-funcionário da Petrobras, Alberto Failhaber, era vice-presidente da operação de trading para a América Latina nesta empresa".

O novo delator da Lava Jato disse que pediu ao engenheiro Carlos Roberto Barbosa que o ajudasse a fazer contato com Failhaber. Segundo ele, os dois, Failhaber e Carlos Roberto Barbosa, haviam trabalhado juntos na Petrobras e "mantinham uma relação de amizade".

— Em janeiro de 2005, soube que a empresa tinha acabado de adquirir a refinaria de Pasadena e teria interesse de negociar até 100% da mesma.

Ele disse, ainda, que Cerveró o orientou a receber Alberto Failhaber na Petrobras "para confirmar o teor da proposta".

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