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Protagonistas da Lava Jato, juiz e doleiro cresceram em cidades vizinhas e se encontraram em outro escândalo 

Moro começava brilhante carreira jurídica enquanto Youssef já era tarimbado no contrabando

Brasil|Do R7

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Moro e Youssef: lados opostos da Justiça
Moro e Youssef: lados opostos da Justiça

Operação Lava Jatocolocou frente a frente dois velhos conhecidos: o juiz federal Sérgio Moro, que já é visto como herói nas ruas e o doleiro Alberto Youssef, contraventor envolvido em diversos esquemas de corrupção nas últimas décadas.

Em lados opostos da Justiça, as vidas de Youssef e Moro seguiam paralelas até se cruzarem pela primeira vez em 2004 no escândalo Banestado e agora, dez anos depois, em 2014, na Lava Jato.


A história dos dois começa nas décadas de 70 e 80, quando passaram a infância e adolescência em cidades vizinhas no Norte do Paraná. 

Filho de professor, Moro optou pelo Direito e frequentou a UEM (Universidade Estadual de Maringá). Na mesma época, Youssef, natural de Londrina, seis anos mais velho, já fazia carreira no mundo do crime, cruzando a Ponte da Amizade (fronteira do Paraná com o Paraguai) com produtos contrabandeados que eram vendidos no Brasil.


Enquanto Moro se preparava para o concurso de juiz federal (ele entrou na Justiça pouco tempo após se formar, na década de 90), Youssef já tinha passado de contrabandista a doleiro, apesar de já ter sido preso algumas vezes por contrabando.

O primeiro encontro dos dois aconteceu em 2004, quando chegaram até o juiz as ações penais do caso Banestado, em que foram descobertos desvios de recursos no Banco do Estado do Paraná. Youssef foi preso acusado de lavagem de dinheiro.


Antes disso, no início dos anos 2000, quando Moro se especializava em lavagem de dinheiro em doutorado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o doleiro Youssef já tinha sido preso três outras vezes pelas autoridades paranaenses. Nenhum dos casos foi julgado por Moro porque até hoje não passaram da primeira instância.

As prisões foram por movimentações financeiras suspeitas em Londrina, em 2000 e em Maringá, em 2001. Em 2002 foi preso pelo Ministério Público do Paraná acusado de lavagem de dinheiro no caso que envolvia a Companhia Elétrica do estado, a Copel.


Frente a frente pela primeira vez no caso Banestado, coube a Moro, que nessa época já tinha feito especialização em Harvard em crimes financeiros, propor um acordo de delação premiada ao doleiro. 

Youssef entregou autoridades, pagou multa alta, ficou um ano e meio preso (apesar de ter sido condenado a sete, já que fez delação) e prometeu deixar o mundo do crime.

Promotores e juízes preferem o termo colaboração premiada a delação premiada. Eles justificam que, a partir do momento que o criminoso aceita o acordo ele passa para ‘o outro lado’. 

Como colaborador, ajuda a Justiça a descobrir os grandes esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, difíceis de serem provados. Partindo desse princípio, Moro esperava que Youssef não voltasse a cometer crimes, uma vez que tinha firmado o acordo.

Não foi o que aconteceu. Longe dos olhos da Justiça, Youssef continuou a praticar crimes, dessa vez em um esquema aparentemente maior que os anteriores. 

Uma rede institucionalizada de corrupção dentro da maior empresa do País, a Petrobras, envolvendo executivos, partidos e empresários deflagrada pela Operação Lava Jato. 

Pessoas próximas a Moro dizem que o fato de Youssef ter voltado a cometer crimes pode ter servido como estímulo para o juiz, um obstinado pelo trabalho e pela Justiça. 

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