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PSB divulga nota contrária à eleição de Renan no Senado

Partido pede um nome capaz de "recuperar a credibilidade da Casa"

Brasil|Filippo Cecilio, do R7

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Os quatro senadores que compõem a bancada do PSB divulgaram nesta quarta-feira (30) uma nota em que defendem que seja eleito para a presidência da Casa um parlamentar que represente um "ideal de renovação" para o Legislativo.

O teor do texto divulgado está sendo entendido como um recado ao PMDB para que o nome indicado para comandar a Casa seja outro que não o de Renan Calheiros (PMDB-AL), envolvido em denúncias de má versação de verba. 


O PSB é aliado do governo federal, que defende a condução de Renan para a presidência do Senado.

Sem citar o nome do senador alagoano, o texto defende que o Senado faça uma "autocrítica", assuma "compromisso firme com a ética” e que seja indicado um nome capaz de “recuperar a credibilidade da Casa”.


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Senadores do PSB já admitem não votar em Renan na eleição que ocorrerá na próxima sexta-feira (1).


A bancada do PMDB tem reunião marcada para a próxima quinta-feira (31) para formalizar o nome do senador alagoano, que ainda não se declara candidato. O líder da bancada do PMDB é o favorito para ganhar as eleições.

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Até o momento, apenas Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) declarou-se candidato, mas o grupo dos chamados independentes ainda tenta se articular para lançar o nome do senador Pedro Taques (PDT-MT) na disputa.

A nota é assinada pelos quatro senadores do PSB — Lídice, Rodrigo Rollemberg (DF), Antônio Carlos Valadares (SE) e João Capiberibe (AP) —, que pretendem votar unidos no nome do futuro presidente.

Confira abaixo a íntegra da nota:

O Brasil vem passando por mudanças que enchem de alegria e esperança o povo brasileiro. Durante as últimas décadas, consolidamos a democracia, universalizamos o acesso à educação básica e derrotamos a inflação.

Mais recentemente, reduzimos as desigualdades de “raça”, renda, gênero e região. A taxa de desemprego nunca foi tão baixa e os índices de mortalidade infantil também caíram drasticamente.

Temos pela frente uma agenda de investimentos que, se cumprida, constituirá a base do crescimento econômico e do bem-estar da população brasileira por um longo período. Temos também que dar conta de tarefas gigantescas no plano social.

Porém, embora haja ainda um longo caminho a percorrer até a conquista de uma educação de alta qualidade, de serviços de saúde adequados e acessíveis a todos, de transporte público digno e eficaz, de cidades menos assombradas pela criminalidade violenta, o povo brasileiro está cada vez mais mobilizado para a realização desses objetivos.

No plano institucional, aprovamos importantes dispositivos como as leis da Transparência, da Ficha Limpa, do Acesso à Informação e do Combate à Lavagem de Dinheiro. Não há dúvidas de que avançou o combate à corrupção e à ineficiência nas instituições públicas. O povo brasileiro está mais vigilante e exigente e isso é essencial para o aperfeiçoamento do Estado de Direito.

Exatamente por isso, o nosso povo está insatisfeito com os políticos, como confirmam as pesquisas de opinião, de quem espera um comportamento mais condizente com os desafios que o país enfrenta.

Isso se reflete, de modo contundente, nos baixos índices de aprovação da atuação e da imagem do Congresso Nacional e do Senado Federal, em particular. E é preciso reconhecer: nosso povo está com a razão! Embora tenha também contribuído para o bom momento que o Brasil vive, a atuação desta Casa tem deixado a desejar.

Os cidadãos e cidadãs, com toda a justeza, se queixam da ineficiência, do desrespeito à ética, da falta de maior sintonia com as grandes aspirações da nação. O resultado é um Senado amesquinhado, enfraquecido, submisso até, na sua relação com o Poder Executivo.

Ao mesmo tempo, a omissão reiterada ou a dificuldade em decidir tem aberto espaço para que o Poder Judiciário encampe questões que cabem a esta Casa resolver. Isso acarreta grave prejuízo para a República, uma vez que esta se assenta no equilíbrio entre os poderes.

Da mesma forma, o Senado compromete seu papel como representação igualitária dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal no Congresso Nacional.

Debilitada, esta Casa falha em sua missão de porta-voz e defensora dos reclamos e interesses das entidades federadas aqui representadas. Isso acarreta grave prejuízo para a Federação, que se assenta na cooperação equânime das entidades que a compõem.

É nesse quadro de desgaste de sua imagem institucional que se realiza a eleição para a Presidência e a Mesa desta Casa.

O que a sociedade espera de nós, muito além de uma necessária autocrítica, é um compromisso firme com a ética e com a continuidade do processo de transformação do Brasil em uma nação justa e próspera.

Devemos, portanto, utilizar esta oportunidade para encontrar a melhor maneira de recuperar a credibilidade desta Casa.

Assim, além de uma plataforma que resgate a dignidade do Senado Federal, é preciso que o nome do novo presidente esteja associado, perante a opinião pública, a esse ideal de renovação.

São enormes os desafios que pesam sobre os membros desta Casa. Somente com o devido senso de responsabilidade histórica, seremos capazes de fazer com que o Senado Federal se ponha à altura do papel que efetivamente lhe cabe, como instituição fundamental para a promoção dos valores e a realização dos objetivos maiores da República.

Brasília, 30 de janeiro de 2013.

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