PT pede saída de Fernando Segovia da direção da Polícia Federal
Diretor da PF indicou que investigação contra presidente Michel Temer no caso dos portos será arquivada. Declaração provocou polêmica entre políticos
Brasil|Do R7

O PT quer a saída de Fernando Segovia da direção da Polícia Federal. O partido pediu nesta quinta-feira (15) para que a Comissão de Ética Pública da Presidência abra um processo contra o delegado, e recomendou que ele deixe o cargo.
No documento, assinad pelo líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), o partido afirma que houve "conduta indevida" de Segovia e que as declarações recentes sobre o inquérito aberto contra o presidente Michel Temer colocam "sob suspeição a própria lisura e efetividade da investigação".
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— Trata-se de conduta indevida e que demonstra, em tese, total submissão do investigador ao investigado, que vem a público fazer a defesa do presidente da República, quando deveria, com independência funcional e no sigilo dos autos, aprofundar as investigações em curso, de modo a submeter ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário, uma opinião juridicamente fundamentada, sem juízos de valores distanciados da realidade da investigação", diz o documento.
Segovia indicou arquivamento
Em entrevista à agência Reuters, Segovia sugeriu que a tendência da PF é recomendar o arquivamento do processo, pois as investigações não encontraram provas de irregularidades envolvendo Temer no chamado Decreto dos Portos.
O caso deve ser analisado na segunda-feira (19) quando ocorre a próxima reunião da Comissão de Ética. O presidente da comissão, Mauro Menezes, já tinha adiantado na quarta-feira que o tema seria discutido mesmo sem o ingresso de alguma representação.
Segovia chegou ao cargo em novembro do ano passado, por indicação pessoal de Temer e sob a suspeita de que a troca do comando da PF teria como objetivo frear as investigações da Operação Lava Jato.
As declarações de Segovia causaram reação dentro da própria Polícia Federal. Em mensagens aos colegas e nota, o diretor negou que tenha antecipado uma decisão pelo arquivamento da investigação.
Após a entrevista, o ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que investiga Temer, em tramitação no Supremo, determinou que Segovia fosse intimado para prestar esclarecimentos. O diretor da PF vai responder aos questionamentos do ministro na segunda.
















