Brasil Punição a furadores da fila da vacina lava a alma da sociedade

Punição a furadores da fila da vacina lava a alma da sociedade

Após recurso, governo de SP confirma multa de R$ 27 mil para médica-veterinária que furou fila da vacinação

  • Brasil | Marco Antonio Araujo, do R7

Em março 2021, empresários e políticos de Belo Horizonte se vacinaram clandestinamente contra a Covid-19; descobertos, foram considerados 'vítimas' de um golpe

Em março 2021, empresários e políticos de Belo Horizonte se vacinaram clandestinamente contra a Covid-19; descobertos, foram considerados 'vítimas' de um golpe

Reprodução/RecordTV Minas

Nem todo dia podemos comemorar decisões de Estado que nos dão algum sentimento de justiça sendo feita. O caso da punição exemplar à médica-veterinária que furou a fila da vacina é um alento para os que cumprem seus deveres e cultivam o respeito ao bom convívio em sociedade.

Logo no início da vacinação contra a Covid-19, em 2021, na antevéspera do auge da pandemia, em que milhares de brasileiros morriam diariamente, fomos pegos de assalto por um bando de gente egoísta e arrogante que se julga melhor que o restante de nós.

Enquanto aguardávamos a vez para tomar a primeira dose, fomos insultados (e certamente ridicularizados) pelos espertinhos que usaram cargos, dinheiro ou prestígio para passar por cima de toda uma população respeitosa com aqueles que, de fato, mereciam ser vacinados primeiro — por serem profissionais da saúde, idosos ou portadores de comorbidades.

Quase todos os furadores da fila da vacina identificados apresentaram motivos fúteis e desprezíveis para desafiar a lei, em pleno estado de emergência. A veterinária (multada em R$ 27 mil pela Secretaria de Justiça e Cidadania do estado de São Paulo) postou nas redes sociais: “Agora me sinto protegida, estou liberada para viajar”.

Como ela, outras 91 pessoas estão sendo investigadas pelo mesmo motivo, só em SP.  Que, literalmente, paguem por sua incapacidade de conviver de forma civilizada, com altruísmo e respeito ao próximo.

Agora, impossível não se lembrar do episódio ocorrido em Belo Horizonte (MG), onde uma centena de empresários, políticos e seus familiares correram feito hienas para receber uma vacina clandestina, em março de 2021.

Todos sabiam que estavam cometendo uma irregularidade. Otários, pagaram por um placebo qualquer. Ficaram impunes. Foram considerados “vítimas” de uma fraude. Ah, coitados... Isso aí não é justo, não.

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