“Qualquer indício de irregularidade será investigado”, diz ministro da Justiça sobre Lava Jato
Juiz apontou que crimes de corrupção podem atingir cerca de 750 obras públicas
Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, comentou nesta sexta-feira (5) o despacho do juiz federal Sérgio Moro em que considera que os crimes de corrupção e propinas "transcenderam a Petrobras". Cardozo disse que “qualquer indício de irregularidade será investigado”, mesmo que as denúncias atinjam partidos políticos.
— O governo tem uma postura muito clara. Todo e qualquer indício de irregularidade, de prática criminosa será investigado. Não importa se é na Petrobras ou em outras obras. Na medida em que qualquer magistrado, membro do Ministério Público, tiver ciência dessas irregularidades, deve tomar as providencias legais e o governo agirá com muito rigor garantido, através dos seus órgãos de controle, a investigação e garantido à Polícia Federal autonomia plena e recursos para que possa investigar.
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Responsável pelas ações da operação Lava Jato, Moro negou nesta sexta o pedido de liberdade de Erton Fonseca, da Galvão Engenharia, e Gerson de Mello Almada, da Engevix Engenharia. Ambos são acusados de envolvimento com o cartel das empreiteiras
No despacho, Moro se mostrou preocupado com uma planilha apreendida no dia 15 de março com o doleiro Alberto Youssef. No documento constam dados sobre cerca de 750 obras públicas nos mais diversos setores de infraestrutura. Cardozo afirmou que as investigações continuarão independentemente dos desdobramentos da Operação Lava Jato.
De acordo com Cardozo, nos depoimentos dos investigados que fizeram o acordo de colaboração com a Justiça foram citados 11 partidos políticos.
— Não cabe a mim como ministro da Justiça defender o partido A, B, C ou D. Ao ministro da Justiça cabe garantir investigações feitas com autonomia, seja as que investigam a Petrobras, sejam as que investigam o cartel do metrô em São Paulo.
O ministro da Justiça ainda criticou o uso das investigações por parte de parlamentares de oposição e pediu cautela ao se comentar as delações premiadas feitas com os envolvidos.
— Não se pode fazer especulações políticas com investigações. Atrapalha a investigação, desinforma a opinião pública e serve muitas vezes ao revanchismo que eu acho que perdeu espaço para a democracia brasileira. Isso eu afirmo como ministro do estado da Justiça.















