Queda da criminalidade, greve de professores e crise hídrica marcam cem dias do 2º mandato de Alckmin
Governador também iniciou 2015 com atrasos nas entregas de obras de mobilidade urbana
Brasil|Fernando Mellis, do R7

Os desafios de Geraldo Alckmin (PSDB) mudaram pouco desde a campanha eleitoral para se reeleger governador paulista. Passados cem dias após a posse para o segundo mandato, o governador de São Paulo com mais tempo no cargo — nove anos, somados todos os mandatos — ainda tem que enfrentar o fantasma da crise hídrica e atrasos em grandes obras públicas.
Antes de ser reeleito, Alckmin enfrentou críticas dos adversários, que apontavam os altos índices de roubos, os problemas na rede de transporte metroferroviária e a falta de água. Essas três áreas tiveram trocas de secretários logo no começo deste mandato.
Na Segurança Pública, saiu Fernando Grella Vieira e entrou Alexandre de Moraes. A pasta dos Transportes Metropolitanos passou a ser ocupada por Clodoaldo Pelissioni, que substituiu Jurandir Fernandes. O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, foi escolhido pelo governador para assumir a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos no lugar de Mauro Arce.
Crise hídrica
No ano passado, Alckmin foi enfático ao dizer que não havia risco de racionamento de água na Grande São Paulo. Diante das chuvas muito abaixo da média em parte do verão, o próprio governo cogitou um limite mínimo em que o Sistema Cantareira teria que estar para evitar o rodízio durante o período seco.
A retirada de água do Cantareira também só passou a ser menor a partir de janeiro. Foi naquele mês que a Sabesp tornou público o esquema de redução de pressão da água em alguns horários do dia, algo que acontecia propositalmente desde o começo de 2014, mas que era negado pelo governo.
Agora, o governo corre com obras emergenciais. Em fevereiro, entregou a interligação do rio Guaió, em Suzano, com a represa Taiaçupeba, que faz parte do sistema Alto Tietê. Até julho, a Sabesp deve terminar a ligação do rio Embu-Guaçu ao Sistema Guarapiranga, acrescentando 1.000 litros por segundo à represa.
Segurança pública
Nos dois primeiros meses de 2015, já com o novo secretário, o Estado teve queda nos indicadores da criminalidade, principalmente em roubos e latrocínios. Combater os crimes contra o patrimônio era uma das prioridades anunciadas por Alckmin durante a campanha. Ainda não se sabe se existe uma tendência de queda. Os números atuais não são tão diferentes da média de 2014.
O novo secretário ainda tem o desafio de reduzir a letalidade da polícia paulista. No primeiro trimestre, policiais mataram 118 pessoas. Segundo a Ouvidoria da Polícia do Estado, em muitos desses casos, existem indícios de execução.
Educação
Alckmin enfrenta desde o dia 16 de março uma greve de professores. A categoria reivindica reajuste salarial de 75,33%, melhores condições de trabalho e a contratação de mais professores. O governo se diz aberto ao diálogo, mas acusa os professores de fazer uma greve com interesse político e de forjar números de adesão. Uma nova assembleia dos servidores acontece nesta sexta-feira (10).
Transporte e mobilidade urbana
Nas Eleições 2014, Alckmin sempre negou que as obras do metrô estivessem atrasadas. Mas nos primeiros meses do segundo mandato, ele já estendeu a previsão de entrega das linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 6-Laranja, dos monotrilhos das linhas 15-Prata e 17-Ouro.
Na linha 4, o atraso foi por causa da rescisão de um contrato com a construtora. O resultado foi que, neste ano, nenhuma estação será inaugurada em todo o sistema metroferroviário. Inicialmente, eram para ser entregues Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie, que acabaram ficando para 2016. As estações Vila Sônia e São Paulo-Morumbi só ficarão prontas em 2018.
Outro atraso certo é o da conclusão do trecho norte do Rodoanel. Em fevereiro, a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) afirmou que o governo não conseguirá cumprir a promessa de terminar as obras até o começo de 2016 por problemas com desapropriações. Com isso, os motoristas só vão poder trafegar pela rodovia a partir de 2017.
Contas públicas
São Paulo foi um dos poucos Estados que fecharam 2014 com superávit (saldo positivo). No fim de fevereiro, Alckmin determinou o corte de R$ 1,9 bilhão em gastos públicos.
Para manter as contas paulistas no azul, o tucano precisou diminuir 5% das verbas destinadas às secretarias de Saúde, Educação, Segurança Pública e Administração Penitenciária. O governador também ordenou a diminuição de gastos com cargos comissionados e horas extras.
Os ajustes feitos no ano passado livraram São Paulo de problemas enfrentados por outros Estados. No Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, por exemplo, os governos atrasaram os salários dos servidores públicos.















