Revisor do mensalão comete gafe ao mudar voto sobre réu do Banco Rural
Lewandowski se perde com papéis e deixa plenário esperando
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília
O ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, protagonizou uma cena inusitada nesta quarta-feira (14) no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal).
Após anunciar que tinha revisado seu voto, ouvindo os argumentos da defesa do réu José Roberto Salgado, ex-dirigente do Banco Rural, e que, por isso, iria propor uma pena menor para o crime de lavagem de dinheiro, o ministro se deu conta que não estava com o seu voto em mãos.
O plenário ficou cerca de cinco minutos em silêncio, esperando Lewandowski procurar o documento. Antes, o ministro justificou seu novo entendimento e avisou que está aberto a mudar de opinião até o último momento do julgamento.
— O juiz precisa estar aberto aos apelos da defesa. O advogado é aquele que está mais próximo dos fatos, que tem conhecimento maior sobre o que está nos autos do que o próprio juiz.
Lewandowski mudou de ideia em relação à participação de José Roberto Salgado nas 46 lavagens de dinheiro pelas quais foi condenado. Para o ministro revisor, ele não deve ter a mesma pena que a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello. No entendimento do revisor, Salgado teve participação menor que a chefe.
Por isso, Lewandowski sugeriu uma pena de quatro anos e oito meses para as 46 lavagens como alternativa à pena proposta pelo ministro relator, Joaquim Barbosa, que votou por uma punição de cinco anos e dez meses de cadeia — mesmo tempo de condenação de Kátia Rabello.
Até o momento, José Roberto Salgado foi condenado a dois anos e três meses de prisão por formação de quadrilha. O plenário ainda precisa definir penas para os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.















