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Revista diz que Garotinho desvia dinheiro para empresa fantasma

Grupo recebeu R$ 32 milhões da prefeitura de Campos, comandada pela mulher do deputado

Brasil|Do R7

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Reportagem da revista Época deste final de semana revela que o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) mantém negócios em seu gabinete em Brasília e na prefeitura de Campos dos Goytacazes, comandada por sua mulher, Rosinha Garotinho, com uma empresa fantasma. Há suspeita de desvio de dinheiro público no esquema.

A empresa em questão é a GAP Comércio e Serviços Especiais, uma locadora de veículos próxima à família Garotinho. A sigla GAP reproduz as iniciais de seu dono, o empresário George Augusto Pereira. Documentos obtidos por Época– mostram que George Augusto não existe.


Segundo a matéria descreve, nos papéis da Junta Comercial, George Augusto Pereira detém 99,8% das ações da GAP e as provas de que ele não existe são abundantes. Época obteve cópia da carteira de identidade usada por George Augusto Pereira. O documento contém uma falsificação grosseira.

De acordo com o Instituto de Identificação Félix Pacheco, o número do RG e a data de expedição da carteira não são de uma pessoa chamada George. Eles correspondem a uma mulher paraibana, de 48 anos de idade, moradora de um bairro pobre de São Gonçalo, região metropolitana do Rio.


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Em seu levantamento, a revista aponta que George Augusto Pereira não tem RG – e esse não é o único papel que lhe falta. George tem caminhonetes de luxo e multas de trânsito, mas não carteira de habilitação. No último dia 6 de maio, ele completou 42 anos de idade, mas nunca tirou título de eleitor.


Porém, diz a reportagem, “uma coisa na vida de George é assombrosamente real: o dinheiro que irriga as contas da GAP”. Para abrir uma conta no banco, George precisava de um CPF – e um CPF foi tirado, a partir do documento de identidade falso. O mesmo CPF aparece na sua declaração de Imposto de Renda.

Época obteve o documento relativo ao exercício de 2011, que informa uma renda anual de apenas R$ 23 mil – e não lista nenhum bem patrimonial. Se existisse, George seria um sonegador. Os ativos de sua empresa somam R$ 5,5 milhões, a GAP já recebeu R$ 32 milhões da prefeitura de Campos e ainda tem um contrato de R$ 15 milhões em vigor com o município. Nada disso está declarado.


O dono da voz

Quando surgiram os documentos revelando que George não existia, Época resgatou a gravação de uma entrevista concedida pelo empresário em junho de 2011. A revista pediu então que o perito Ricardo Molina analisasse a voz da pessoa que telefonou fazendo se passar pelo dono da GAP.

Havia outro áudio para uma comparação. No mês passado, a publicação gravou uma entrevista por telefone com Fernando Trabach Gomes, que prestou serviço para a campanha do partido de Garotinho em 2010.

Durante a conversa, Trabach se identificou como diretor comercial da rede Metta Postos, fornecedora de combustível para a campanha do PR. Chamou a atenção o fato de que a secretária de Trabach era a mesma que anotara o recado para George em 2011.

A perícia de Molina confirmou a suspeita. “Como não existe ‘certeza’ em perícia (nem na ciência em geral), costumamos dizer que acima de qualquer dúvida razoável é a mesma voz”, afirma Molina.

A revista diz que antes de o Ministério Público investigar a GAP, Trabach interpretava George na informalidade. Em outubro de 2011, uma procuração foi registrada num cartório do Rio. No documento, o George fictício passa plenos poderes ao Trabach de carne e osso.

Na prática, era como se o dono da GAP mandasse seu procurador viver por ele. Trabach podia gerenciar os negócios, receber dinheiro, movimentar a conta bancária, despedir empregados, vender bens, fazer escrituras de imóveis, estabelecer contratos e até representá-lo em processos na Justiça.

Fraudes

Trabach – que, até o ano de 2012, tinha cinco números diferentes de CPF – é extremamente próximo da família Garotinho. Ele já apareceu numa denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) contra a prefeitura de Campos. Em 2009, seu primeiro ano de mandato, a prefeita Rosinha resolveu alugar ambulâncias em vez de comprá-las. Para abrir concorrência, o município precisava cotar preços entre empresas e definir o valor a pagar pelo serviço de locação das ambulâncias.

Uma das quatro empresas que apresentaram orçamento foi o Posto 01, que vende combustível em Itaboraí, município próximo ao Rio. Naquela época, o posto tinha uma filial no mesmo endereço da GAP. A suspeita do MPE era que houvesse um acerto entre as duas empresas irmãs para fraudar a concorrência. De acordo com o MPE, no dia da licitação, a GAP teve o caminho livre para vencer e receber, ainda por cima, em valores superfaturados. O que isso tem a ver com Trabach? Ele comanda a rede que inclui o Posto 01.

A revista mostra ainda que Trabach também aparece nas denúncias de fraudes na campanha eleitoral do PR em 2010. Sua rede de postos ganhou R$ 1,2 milhão para fornecer combustível ao candidato a governador do partido, Fernando Peregrino, lançado por Garotinho.

A suspeita de falcatrua veio à tona quando a investigação esbarrou nas notas fiscais apresentadas à Justiça Eleitoral para comprovar as despesas com os quatro postos de Trabach. As notas contêm indícios de irregularidades e falsificação.

Um dos documentos fiscais nem sequer se referia à venda de combustível, mas apenas ao aluguel de uma frota de 170 veículos, um gasto não declarado à Justiça Eleitoral. O posto não aluga carros. A Procuradoria-Geral Eleitoral fará uma investigação nas contas de campanha de Peregrino, com base em indícios como esses. Amarrando as duas pontas – a de George à de Trabach –, surge mais uma amostra da ousadia do esquema.

Em maio do ano passado, George vendeu a GAP por R$ 100 mil, parcelados em dez vezes. A felizarda compradora foi ninguém menos que a mãe de Trabach, uma senhora viúva de 69 anos de idade. Como tinha procuração do fantasma para movimentar os negócios, foi o próprio Trabach quem transferiu tudo para o nome da própria mãe.

Procurado por meio de sua assessoria, Trabach informou que não comentaria o caso. Garotinho e a prefeitura de Campos não haviam se manifestado até o fechamento da matéria.

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