Senador defende vaquejada e critica Janot: quer cortar 1 mi de empregos
Otto Alencar afirma que bois criados para abate recebem tratamento pior
Brasil|Alexandre Garcia, do R7

O senador Otto Alencar (PSD/BA), autor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que considera as vaquejadas como manifestações culturais, criticou o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para suspender as normas que autorizam a prática no País. Ele afirma que o procurador quer acabar com 1 milhão de empregos.
No pedido feito na noite desta sexta-feira (9), Janot avalia que a prática é cruel com os animais porque “para derrubar o boi, o vaqueiro deve puxá-lo com energia pela cauda, após torcê-la com a mão para maior firmeza”.
Em entrevista ao R7, Alencar afirma que os argumentos utilizados por Janot na tentativa de suspender a prática consideram o período em que as vaquejadas ainda não eram regulamentadas.
— Ele fala em torcer a cauda do boi, sendo que hoje o boi usa uma cauda artificial. O cavalo usa uma esporra. O boi tem que ser adulto e corre, no máximo duas vezes. O leito da pista de areia tem 40 centímetros e é lavada. Eu não vejo nenhum acidente.
Janot pede para STF derrubar normas que autorizam vaquejadas
O autor da PEC 50/2016 que o fato das vaquejadas pelo País serem responsáveis por 1 milhão de empregos “não mobiliza o procurador”.
— São 1 milhão de empregos, desde o fabricante das rações aos motoristas dos caminhões, os donos das pousadas, o veterinário, o vaqueiro, o dono do aras, o vendedor de pipoca, o baleiro, os donos dos restaurantes... É uma cadeia produtiva muito grande.
Para o senador, Janot não conhece a realidade das vaquejadas e quer “compensar a bobagem que ele fez com o Jesley Batista [dono da JBS que mentiu em delação premiada firmada com o Ministério Público Federal]”.
— Ele [Janot] não sabe o que é isso e nem quantas pessoas ele vai desempregar e deixar com fome na miséria do Nordeste.

Fazendas
Alencar volta a atacar Janot ao mencionar que milhares de bois “caem” a cada minuto nas fazendas brasileiras para servirem de alimentos. De acordo com o senador, esses animais são tratados de maneira cruel, derrubados em solo duro e têm que ser castrados sem anestesia para criar gordura.
— O vaqueiro leva o boi para a porta do curral. Se ele não quer entrar, o vaqueiro bota ele pela cauda, derruba, bota ele no curral, coloca no caminhão e leva para o frigorifico, onde ele é abatido. Tiram o filé mignon e a picanha e mandam para o Janot.
Supremo considera prática da vaquejada ilegal
O peessebista afirma ainda que a petição do procurador desrespeita a emenda constitucional aprovada pela maioria dos deputados e senadores. Ele ainda volta a questionar o não impedimento de práticas similares às vaquejadas praticada nas fazendas.
— Por que eles não vão para as fazendas, proíbem de matar o boi e liquidam com o agronegócio? A exportação é de onde se recolhe os impostos para pagar o salário do Janot. Não vão fazer.















