Senadores aliados querem que Dilma lidere negociação de MPs no Congresso
Brasil|Do R7
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA (Reuters) - Os líderes de partidos aliados no Senado disseram nesta terça-feira ao ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, que a presidente Dilma Rousseff precisa liderar a negociação com o Congresso das medidas provisórias que alteram o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, informou à Reuters uma fonte do governo.
Como parte da mobilização do governo para aprovação de duas MPs que tornam mais difícil o acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e pensões por morte, Vargas começou nesta terça uma rodada de reuniões com os líderes aliados do Congresso.
No encontro da manhã desta terça com senadores aliados, o ministro ouviu um cenário de dificuldades políticas para aprovar as medidas na forma original e um pedido para que o governo divulgue mais dados que subsidiem o debate no Congresso.
"Os líderes entenderam as medidas, mas disseram que a aprovação não é fácil pelo momento político. E eles pediram que a presidente se envolva no processo, lidere a negociação", disse a fonte que participou da reunião à Reuters, sob condição de anonimato.
Além de Vargas, participaram da reunião os ministros da Previdência, Carlos Gabas, do Trabalho, Manoel Dias, da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto, e do Planejamento, Nelson Barbosa.
Na segunda-feira, a cúpula do PMDB, maior partido aliado no Congresso, também se reuniu à noite com a equipe econômica para debater as medidas e a necessidade de um forte ajuste fiscal. O jantar, promovido pelo vice-presidente Michel Temer, foi tenso e o debate sobre as dificuldades políticas ganhou mais força do que as questões econômicas.
A aprovação dessas MPs, que podem gerar uma economia de até 18 bilhões aos cofre públicos e foram editadas no final do ano passado sem discussões prévias com centrais sindicais e com os partidos aliados, é o primeiro teste do governo no Congresso sobre o ajuste fiscal em andamento.
Vargas disse que essa foi a primeira reunião e não se discutiram mudanças no conteúdo das MPs, mas nos últimos dias ministros e até mesmo a presidente já admitiram a possibilidade de negociar pontos da proposta original.
"Abrimos uma rodada de primeiras intervenções, em que os líderes colocaram um conjunto de preocupações que querem discutir com suas bancadas", disse o ministro a jornalistas no final do encontro.
"Nós temos o objetivo de aprovar o mais rapidamente possível (as MPs)", disse o ministro, que nesta terça ainda se reúne com os líderes aliados da Câmara.
Antes do Carnaval, Vargas disse em entrevista à Reuters que todos os partidos aliados precisam ter compromisso com o ajuste fiscal e aprovar as medidas.















