Senadores querem ir a Angola ajudar pastores agredidos

Pastores da Igreja Universal foram vítima de agressão. Presidente Jair Bolsonaro enviou carta ao presidente de Angola pedindo segurança aos religiosos

Senadores brasileiros cobram providências da Justiça de Angola

Senadores brasileiros cobram providências da Justiça de Angola

Reprodução/Record TV

Senadores brasileiros querem formar uma comitiva para ir até Angola tentar ajudar os brasileiros que estão sofrendo uma onda de ataques e perseguições no país africano. O presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta ao presidente de Angola pedindo garantias de segurança aos religiosos ameaçados.

Diante da escalada de tensão, o embaixador brasileiro em Angola, Paulino Franco de Carvalho, manifestou preocupação diretamente ao chanceler do país e entregou a carta que o presidente Jair Bolsonaro enviou ao presidente de Angola pedindo providências.

O embaixador afirmou: “A primeira a providência que eu entendo que seja, não só eu, mas o governo brasileiro como um todo, é a retirada desses invasores das propriedades da Igreja Universal e seja preservada a segurança, incolumidade dos cidadãos brasileiros, especialmente cidadãos brasileiros porque eu aqui falo em nome deles que eles não sofram qualquer tipo de violência que se possa voltar à normalidade o quanto antes”.

A crise se arrasta há mais de três semanas, desde que templos e propriedades da Igreja Universal no país africano passaram a ser invadidos por dissidentes angolanos. Pastores brasileiros foram agredidos e expulsos de suas casas.

A situação ficou mais grave com a omissão das autoridades do país e até operações policiais em igrejas e residências de integrantes da instituição brasileira.

Especialistas em direito internacional classificam a situação como gravíssima.

Templo da Universal em Angola

Templo da Universal em Angola

Reprodução/Record TV

Maurício Ejchel, advogado especialista em direito internacional, diz: “A partir do momento em que a situação vai escalonando ela deixa de ser um problema local, de uma situação do templo específico e passa a ser um assunto público. O que é muito mais grave.  Aí sim a gente passa a ter um estado que está apoiando uma série de atitudes que no meu ver são atitudes beligerantes.”

Nesta segunda-feira (13), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), manifestou sua preocupação com as agressões contra pastores da Igreja Universal do Reino de Deus.

"Brasil e Angola são pátrias amigas e confiamos que o governo aplicará a lei, com respeito à liberdade religiosa e garantindo a vida de todos.”

Mais cedo, ele também publicou em uma rede social a íntegra da carta enviada pelo presidente Jair Bolsonaro ao presidente angolano, João Manuel Lourenço, pedindo proteção aos brasileiros.

Bolsonaro falou sobre a preocupação com as invasões, relatos de agressão e a expulsões de residências. Pediu ainda a restituição de propriedades e moradias e disse estar seguro que o presidente angolano irá acolher as palavras dele.

Pastor brasileiro agredido em Angola

Pastor brasileiro agredido em Angola

Arquivo pessoal

Nesta segunda-feira, na transmissão da LiveJR, o bispo líder da Igreja Universal em angola, Honirolton Gonçalves, disse que estranha o comportamento da polícia.

“Nós não recebemos, por exemplo, nenhum comunicado do ministro do Interior que é o responsável pela polícia aqui em Angola dizendo: nós vamos proteger os brasileiros”, disse o bispo. “Esses atos violentos nos preocupam e nós não vamos ganhar a proteção dos tempos que continuam acontecendo. Ontem nós tivemos evasão  mesmo com o comunicado oficial da Polícia Nacional dizendo: não vamos tolerar eles invadiram uma das nossas igrejas. A polícia retirou e devolveu aos invasores nos trazendo ainda mais perplexidade e mais estranheza com relação a tudo que está acontecendo.”

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado protocolou um requerimento para formar uma comissão de parlamentares para ir até angola e verificar a perseguição religiosa sofrida por pastores e bispos da Igreja Universal no país. O senador ainda solicita uma aeronave da FAB para realizar a missão diplomática.

“Uma das prerrogativas, das tarefas, das missões que a nossa Comissão de Relações Exteriores tem é justamente interceder em determinado país diante de algum constrangimento físico, moral que um brasileiro possa estar tendo, sendo submetido e isso está mais do que evidente que está acontecendo”, afirmou o senador Nelsinho Trad. “A troco de quê estão fazendo isso com nossos amigos compatriotas. Isso não está certo. A gente tem que repudiar veementemente essa questão.”

No requerimento, o senador quer uma comissão de quatro titulares para no prazo de 30 dias de prazo criar a comitiva.

A justificativa é que além das invasões violentas dentro das igrejas, profissionais e missionários são detidos sem nenhuma razão. E até o momento, a justiça angolona não apresentou nenhuma medida para resolver essa situação.

Outros senadores também reforçam a urgência para que a comitiva parlamentar visite Angola. O senador Major Olimpio (PSL), afirmou: “Provavelmente nós teremos mesmo uma comissão de senadores e deputados para seguirem para Angola para acompanharem o trabalho da embaixada  brasileira junto ao governo angolano exigindo a reciprocidade  de tratamento que nós damos aos irmãos angolanos e a gente que chega no Brasil de todas as nações. É preciso garantir a segurança dos brasileiros lá em Angola.”

Se mesmo com as ações diplomáticas, o governo angolano não reagir para proteger os religiosos brasileiros e restituir as propriedades da instituição, o especialista acredita que o Brasil deveria acionar a comunidade dos países de língua portuguesa.

“É um problema criminal de, entre aspas, xenofobia, que está acontecendo contra membros do Brasil e justamente explicar que isso não pode ser desse mundo tratado, que tem que existir é um tratamento juridicamente equilibrado”, diz o advogado. “Ela pode inclusive aplicar sanções, mas o mais importante ela pode enviar observadores para efetivamente apurarem de modo neutro o que está acontecendo. Além disso, ela pode adotar outras formas de sanção chegando até a possibilidade de expulsão do país da comunidade.”