Serra recebeu US$ 2 mi da Odebrecht por obra do Rodoanel, diz delator
Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que Paulo Preto intermediou o acerto no exterior
Brasil|Do R7

O ex-chanceler e atual senador da República José Serra (PSDB) teria recebido US$ 2 milhões da Odebrecht no exterior por conta da obra do Rodoanel Sul. A intermediação teria sido feita pelo ex-diretor da Dersa Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto.
A informação é do executivo da empreiteira Luiz Eduardo Soares em seu acordo de delação premiada, noticiada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (18).
O acerto envolveu uma troca de valores, uma vez que Paulo Preto devolveu R$ 4 milhões para empresa no Brasil em 2010 e, posteriormente, os US$ 2 milhões foram depositados em uma conta do empresário Jonas Barcellos, dono do grupo Brasif, fora do País. A Brasif administra free-shops em aeroportos brasileiros.
Paulo Preto foi citado por delatores da Odebrecht por fazer o meio-campo entre a empreiteira e os políticos, cobrando repasses de recursos ilícitos para Serra e para o atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Ambos os políticos negam as acusações.
Já o empresário Jonas Barcellos é apontado, nas colaborações premiadas, como o quarto empresário a emprestar contas fora do País para Serra receber grana da Odebrecht. Antes dele, o ex-tesoureiro do PSDB Márcio Fortes, Ronaldo Cezar Coelho, amigo do senador, e o lobista ligado ao PSDB paulista José Amaro Pinto Ramos foram citados pelos delatores.
Transação
O executivo da Odebrecht relatou que ele próprio e outro colega de empresa que cuidava do contrato do Rodoanel Sul, Roberto Cumplido, acertaram a devolução dos R$ 4 milhões no Brasil. Esse acordo ocorreu na sala de Paulo Preto na Dersa. Soares afirmou que Paulo Preto "estava querendo devolver um numerário para nós e fui lá combinar como seria a retirada desse dinheiro".
Soares disse que a empreiteira acionou o empresário Alvaro Novis, que trabalhava como doleiro para a empresa, que pegou os R$ 4 milhões na casa de Paulo Preto.
Dias depois, ainda conforme Soares, o então presidente da construtora do grupo, Benedito Junior, mandou que ele fosse ao Rio de Janeiro negociar o depósito com o empresário da Brasif.
Segundo o executivo da Odebrecht, não se falou em Serra na reunião com Barcellos na sede da Brasif, no Leblon. Porém, também segundo Soares, Benedicto Junior teria dito a ele próprio que "esse dinheiro pertenceria ao Serra".
O delator afirmou ainda que não se tratou de uma devolução dos R$ 4 milhões, mas sim uma troca porque a mesma quantia foi paga fora do País: "Eu entendo que queriam colocar [o dinheiro] em um lugar mais seguro".
Além de Soares, outros delatores da Odebrecht disseram em seus acordos que o tucano José Serra recebeu repasses no valor de R$ 15,9 milhões na obra do Rodoanel. Pedro Novis, ex-presidente do grupo, diz que transferiu R$ 23,3 milhões para Serra a partir de 2010.
Defesa
Em nota enviada ao jornal paulistano, Serra negou as acusações e o suposto beneficiamento da empreiteira, atacou o delator da Odebrecht Luiz Eduardo Soares.
— A confusa história relatada pelo delator não faz nenhum sentido. [...] O senador José Serra jamais teve relações com boa parte dos personagens citados e, como afirmou o ex-presidente da Odebrecht Pedro Novis em depoimento, nunca tomou medidas nos cargos que ocupou que tenham beneficiado a empresa. [...] A abertura da investigação é útil para comprovar a lisura de sua conduta.
O empresário Jonas Barcellos, por sua vez, afirmou que "as empresas Brasif não comentam processos sobre os quais não tiveram conhecimento".















