Sindicalistas pedem esclarecimento de casos de trabalhadores desaparecidos na ditadura militar
A Comissão Nacional da Verdade terá um grupo de trabalho para investigar a repressão ao setor
Brasil|Da Agência Brasil
Líderes sindicais presos durante o período militar pediram nesta segunda-feira (22) o esclarecimento de casos de desaparecimento de trabalhadores perseguidos pela ditadura militar.
As manifestações foram feitas durante o ato que lembrou os 30 anos da greve geral de 1983, que levou milhões de trabalhadores às ruas e foi decisiva para derrubar a ditadura.
No evento, ocorrido na sede do Sindicato Nacional dos Aposentados, foram exibidos vídeos com depoimento de torturados e de ações de repressão.
Para Arnaldo Gonçalves, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos, a paralisação de 1983 e os movimentos anteriores da classe trabalhadora foram fundamentais para por fim à atuação dos militares e instalar a democracia no país.
— Foi um passo importante na conquista da democracia e para a virada histórica. É importante que não se esqueça dos companheiros [desaparecidos].
O ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Derly José de Carvalho, espera que os assassinatos e desaparecimentos ocorridos na época sejam esclarecidos e os responsáveis conhecidos.
— Não acredito em bons resultados se as centrais sindicais não se engajarem nesse trabalho
A Comissão Nacional da Verdade terá um grupo de trabalho que investigará a repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical durante a ditadura militar.
O secretário nacional de Políticas Sociais da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Expedito Solaney, lembrou que a greve de 83 teve a adesão de cerca de 2 milhões de trabalhadores que protestavam contra o regime militar.
Segundo ele, mais de 400 sindicalistas foram vítimas da repressão militar apenas no dia da greve.















