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Suspeito de terrorismo preso no Peru pode ter ficado oito meses no Brasil

A polícia peruana encontrou vestígios de explosivos no lixo de Muhammad Ghaleb Amadar

Brasil|Lumi Zúnica, especial para R7

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Amadar se casou com documento falso
Amadar se casou com documento falso

Muhammad Ghaleb Amadar, cidadão libanêss investigado pelos policiais da Direção Contra el Terrorismo – Dircote, unidade de inteligência do governo peruano e depois preso a partir de suspeitas do Mossad, serviço de inteligência de Israel que o apontam como o membro ativo do Hezbollah, partido político considerado uma organização terrorista em alguns países, muito possivelmente permaneceu no Brasil por até 8 meses.

A polícia peruana descobriu que ele tinha entrado no Peru e se casado utilizando um passaporte falso de Serra Leoa com o nome de Muamad Amadar. A atuação do libanês se limitava a transferências de dinheiro que chegavam a ele via Western Union, sistema de remessa de moeda e passava os dias se exercitando numa academia próxima do seu apartamento sem exercer nenhuma atividade profissional ou comercial. Isto também reforçou as suspeitas dos agentes que passaram a recolher e analisar o lixo deixado por ele e a mulher.


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Foi no lixo que a Polícia Nacional peruana encontrou resíduos de TNT, composição química explosiva. Com estes indícios, a Corte Penal Especializada em Crime Organizado expediu contra ele no dia 28 de outubro um mandato de prisão temporária que depois foi convertido a 18 meses de prisão preventiva pelo delito de terrorismo.


O Ministério do Interior, que cuida dos assuntos de segurança nacional, em nota oficial disse época que “as investigações preliminares executadas por agentes de inteligência da Polícia Nacional dão conta de indícios de manipulação de material explosivo de uso exclusivo militar pelo cidadão libanês no imóvel objeto da intervenção”. Interrogado, Amadar admitiu ter utilizado um passaporte falso de Serra Leoa, assim como carteira de motorista. No passaporte foram encontrados carimbos de viagem de Marrocos, Guine, Peru entre outros.

Também foi encontrada com ele uma carteira de motorista da Libéria. Segundo ele os documentos foram fornecidos por um membro do Hezbollah de nome “Mazan” ou “Massan” quem também teria lhe dado US$ 10 mil dólares e o instruído para se por comerciante. Amadar admitiu estar filiado ao Hezbollah desde 2009. Em trechos de áudios divulgados pela rádio “Frecuencia Latina”, Amadar declara que “Eles nos treinavam para a ação, nos ensinavam como disparar uma pistola”.


Mas Amadar nunca admitiu ser terrorista nem ter manipulado explosivos. Segundo ele os indícios encontrados pela polícia eram restos de carvão utilizados para fumar narguilé.Já para a magistrada Wendy Calero, após interrogar o acusado, afirmou que “ele confessou, via intérprete, seu advogado e perante um procurador antiterrorismo, que tinha a missão de proporcionar informação sobre lugares sensíveis do Perú aos terroristas do Hezbollah”.

A mesma juíza declarou que as fotos do aeroporto encontradas com Amadar eram da área de controle de malas e ela acredita que um dos seus objetivos era a Cumbre Internacional Del Medio Ambiente – COP 20 (Conferencia Climático), realizada em Lima. Afirmou também ter encontrado fotos onde Amadar estaria recebendo treinamento militar de tiro junto com outra pessoa.


Calero disse que foram encontradas com Amadar fotos de áreas estratégicas do aeroporto, casas e restaurantes frequentados por turistas e acrescentou que Carmem, a suposta esposa de Amadar, teria recebido dinheiro do Hezbollah e que esteve pelo menos duas vezes no Líbano.

A carteira de motorista do suspeito era de Serra Leoa
A carteira de motorista do suspeito era de Serra Leoa

Também afirmou que apesar de ter se casado com Amadar , ela continua vivendo com seu anterior marido em Orlando na Florida, nos Estados Unidos. Sobre sua relação com Brasil, a polícia peruana sabe que as duas vezes que Amadar entrou ao Peru o fez a partir do Brasil. Acredita-se que Amadar permaneceu no Brasil pelo menos por 8 meses entre os dias 11 de março e 9 de novembro de 2014, já que não se conhecem outras viagens do cidadão libanês nesse intervalo.

Os itinerários

O suspeito desembarcou a primeira vez no aeroporto Jorge Chavez em Lima, capital do Peru no dia 3 de novembro de 2013 e em 9 de novembro de 2014 pela segunda. Segundo autoridades peruanas, as duas vezes proveniente de São Paulo, onde possivelmente permaneceu durante 8 meses.

Na sua primeira estadia Muhammad continuou viagem de Lima até Yurimaguas, Loreto, cidade na Amazônia peruana onde se casou no dia 15 de novembro de 2013 com Carmen del Pilar Carrión, peruana que mora nos Estados Unidos e que possui cidadania americana.

Após a cerimônia Carmen retornou aos Estados Unidos onde e em 11 de março Mohammed retornou ao Brasil. Oito meses depois, no dia 9 de julho de 2014 Mohammed viajou novamente ao Peru. Nesta segunda viagem ele e a esposa, provenientes de Miami, se encontraram no aeroporto da capital peruana.

Seguiram até um hotel onde permaneceram até 19 de julho quando alugaram um pequeno apartamento na rua Santa Rosa, 920 no populoso bairro de Surquillo, em Lima.

Muhammad Ghaleb Amadar também tinha documento libanês
Muhammad Ghaleb Amadar também tinha documento libanês

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