Transporte de órgãos para transplante com aviões da FAB dispara

Então interino Michel Temer decretou aeronave exclusiva para este fim em junho de 2016

Transporte de órgãos para transplante com aviões da FAB dispara

Aeronave da Força Aérea Brasileira desembarca no Rio de Janeiro com fígado retirado em Campo Grande (MS) em setembro de 2016

Aeronave da Força Aérea Brasileira desembarca no Rio de Janeiro com fígado retirado em Campo Grande (MS) em setembro de 2016

Cabo Feitosa/Força Aérea Brasileira

O número de órgãos para transplante transportados por aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) disparou nos últimos seis meses de 2016, após decreto do então presidente interino Michel Temer, que determina a reserva permanente de uma aeronave exclusivamente para este fim.

Dados do SNT (Sistema Nacional de Transplantes), ligado ao Ministério da Saúde, obtidos pelo R7 por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que o número de órgãos transportados cresceu 3.440% na comparação entre antes e depois do decreto.

De 1º de janeiro a 6 de junho de 2016, data da assinatura do decreto, foram cinco órgãos preparados para transplante transportados: dois corações e dois fígados. Não há registro de viagens para levar rins, pâncreas e pulmões neste intervalo.

Com o decreto em vigor, entre 7 de junho a 31 de dezembro de 2016, esse número saltou para 172 órgãos transportados.

Deste total, foram trasladados 74 fígados, 46 corações, 40 rins, 7 pâncreas e 5 pulmões.

Lista de espera por rim é a maior do País

Lista de espera por rim é a maior do País

Divulgação/Ministério da Saúde

Em 6 de junho de 2016, Michel Temer editou um decreto que determinava a reserva de um avião da FAB para o transporte de órgãos para transplante, bem como o transporte do receptor até o doador se necessário.

De acordo com o decreto, o Ministério da Saúde pode pedir aeronaves extras, caso necessário, mas, neste caso, a oferta do serviço está sujeita à disponibilidade operacional da FAB.

Além das aeronaves oficiais, as companhias aéreas comerciais também transportam órgãos, uma vez que existe um convênio com o Ministério da Saúde. As aeronaves comerciais, inclusive, têm prioridade para decolar e pousar caso estejam carregando órgãos para transplante.

Em 2016, as companhias aéreas transportaram 6.857 órgãos, tecidos, itens e equipes médicas, de acordo com balanço da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Lista de espera

Dados do SNT indicam que 41.052 brasileiros estavam na fila de espera por algum órgão até a última terça-feira (28). Mais da metade deste total são pacientes à espera de um rim (24.914 pessoas).

O segundo órgão mais disputado são é a córnea, uma vez que 12.865 estão no aguardo por um tecido ocular.

Na sequência, aparecem as filas por fígado (1.939), rim/pâncreas (728), coração (341), pulmão (199) e pâncreas (66).