"Um governo fraco sempre apela para os militares", critica FHC

Ex-presidente se mostra contra intervenção federal no Rio e associa gargalo na segurança pública à corrupção nas polícias

"Um governo fraco sempre apela para os militares", diz FHC

FHC disse que Exército não resolve problema sem trabalho de inteligência

FHC disse que Exército não resolve problema sem trabalho de inteligência

Felipe Rau/Estadão Conteúdo - 27.02.2018

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, nesta terça-feira (27), que a intervenção federal no Rio de Janeiro e a consequente escolha de um general da reserva do Exército — Joaquim Silva e Luna — para ocupar o cargo de ministro da Defesa, atestam a fraqueza do governo Temer.

— Um governo fraco sempre apela para os militares.

O tucano participou do Fórum Estadão Reconstrução do Brasil, em São Paulo.

FHC ainda afirmou que o Exército não resolve o problema sem um trabalho de inteligência. O ex-presidente lembrou que, durante seu governo (1995-2003), a situação do Estado do Espírito Santo foi considerada caótica, mas, na ocasião, optou por não fazer uma intervenção para não parar as votações no Congresso.

Segundo o ex-presidente, o principal problema da segurança está relacionado à corrupção nas forças policiais.

— As pessoas não têm confiança na polícia.

Alckmin

Fernando Henrique ressaltou também as incertezas do cenário eleitoral poucos meses antes das Eleições 2018. Ao ser questionado sobre candidatura à Presidência de Geraldo Alckmin, seu colega de PSDB, FHC se limitou a dizer que o governador de São Paulo tem experiência e é capaz de governar.

— Alckmin precisa mostrar sua experiência para as pessoas. Acho difícil um reacionário ganhar a maioria no Brasil. O Alckmin tem chances de ganhar. Vai depender da campanha e de despertar confiança na sociedade.

Para o ex-presidente, ter Pérsio Arida à frente do programa econômico de Alckmin é positivo. No entanto, o tucano aponta ser necessário deixar claro para a população o que significa ter um economista com tanta experiência na área. FHC aproveitou para comentar sobre outros possíveis candidatos, como o ministro da Fazenda.

— [Henrique] Meirelles, por exemplo, se cercou de gente competente, baixou inflação, mas a população sente isso na prática?

Para FHC, é preciso sair da "bolha", avaliar o que as pessoas estão buscando. Na visão dele, o primeiro ponto é retomar o crescimento, gerar empregos e renda. Em segundo lugar, está a questão da segurança pública e da ética política. Questionado sobre os candidatos Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, FHC afirmou ser necessário estudar os candidatos.

— Precisamos conhecer as ideias do Bolsonaro, saber o que ele pensa sobre economia, empregos etc. Ele simboliza o autoritarismo e não creio que cresça, mas não tenho bola de cristal e na política tudo pode acontecer.

Com relação ao candidato Ciro, FHC disse considerá-lo impetuoso e que "muda muito de opinião e de partido".

— O ego é tão grande que quer tirar proveito. É preciso ter coerência. O Ciro é instável, cresceu sendo um iconoclasta: se tem governo, é contra.

Ainda sobre as Eleições 2018, disse que atribuíram a ele, nas últimas semanas, o lançamento de diversos candidatos. Entre eles, Luciano Huck.

— Sou amigo da família, conheço o Luciano, mas eu nunca propus essas candidaturas. Também não acho que o Joaquim Barbosa será candidato. O que eu acho é que as pessoas estão buscando o novo.

O tucano brincou ao dizer que "Fernando Haddad é meu candidato no PT" e destacou que mesmo novos candidatos e os novos partidos não vão acabar com o "velho", uma vez que existe um modelo vigente.

Para o ex-presidente, os partidos que assumiram um número maior de prefeituras e de governos terão mais tempo de programa eleitoral na TV, o que, na prática, faz diferença na campanha.

Outro aspecto importante, na opinião dele, é a governabilidade. Não é possível governar sem apoio do Congresso.

— Os partidos podem ser fracos, mas o Congresso é forte. Os presidentes que não entenderam isso caíram.