“Você educa do mesmo jeito que uma criança”, diz mãe que adotou garoto de 11 anos
Mulher que decidiu não engravidar pela segunda vez defende a adoção tardia
Brasil|Vanessa Beltrão, do R7

Uma decisão profissional que criou um laço eterno. A técnica em radioterapia Renata Cavarzan tinha mais de 40 anos quando decidiu ser mãe pela segunda vez. Como trabalhava com exposição à radiação, ela teria que se afastar durante toda a gravidez e não quis. A alternativa então foi a adoção.
— Eu não queria parar de trabalhar e meu marido sempre teve uma cabeça muito aberta. Como o mercado está difícil, as minhas chances seriam piores depois. A gente optou por questões profissionais mesmo.
O casal que pensava em adotar uma criança de 5 anos terminou se apegando a um pré-adolescente, de 11 anos, ao visitar um abrigo. Defensora da adoção tardia, Renata comenta que não vê diferença.
— É complicado do mesmo jeito que pode ser com nossos filhos biológicos. Você educa do mesmo jeito que tivesse educando uma criança de dois, três anos, porque não sabe nada... Não tinha cultura nenhuma de estudo, ele veio estudar para a primeira prova com a gente.
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O garoto de 11 anos é filho biológico de uma dependente química e não conhece o pai. Mas quando o casal Renata e Paulo Roberto conheceu o garoto, ele ainda mantinha laços com a avó. Devido a essa ligação, o processo de adoção demorou cerca de dois anos.
— A avó ainda tinha a guarda, mas abriu mão e entramos com um pedido de adoção. Matheus veio para a gente de vez em 2012, nos conhecemos em 2010.
Matheus ainda tem dois irmãos mais novos que também já foram adotados por outra família e um irmão mais velho que vive no abrigo.
— A pessoa que adotou os dois menores não quer nenhum contato. A gente tentou até por intermédio do juiz mas não consegue. Matheus só vai poder vê esses irmãos quando tiver 18 anos que ele pode pedir judicialmente. Agora, o irmão mais velho, eles se falam e nas datas comemorativas, a gente vai buscar ele.
Além da convivência com o irmão biológico, o adolescente, hoje com 14 anos, ainda tem uma irmã de 26 anos do primeiro casamento de Renata. O carinho entre os dois aconteceu também de forma natural e tranquila.
— O amor não foi nada mágico, olhou, viu a criança, acendeu uma luz em volta. Não é isso, a gente construiu o amor, uma relação e acho que para ele também foi a mesma coisa. Eu amo o Matheus do mesmo jeito que amo a minha filha biológica.















