'Vossa Excelência está transformando réu em anjo', diz relator a Lewandowski
Retomada do julgamento do mensalão tem desentendimentos
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

A 43ª sessão do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), realizada nesta quarta-feira (7), é marcada por um clima de tensão entre os magistrados. O ministro relator do processo, Joaquim Barbosa, que se envolveu em uma discussão com Marco Aurélio logo no início da sessão, voltou a se desentender, dessa vez com o ministro revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski.
O plenário debate a fixação de pena pelo crime de corrupção ativa de Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério, acusado de corromper dez parlamentares da Câmara dos Deputados.
Joaquim Barbosa estipulou uma punição de cinco anos e dez meses de prisão, mais multa.
No entanto, Lewandowski sugeriu a pena mínima para crime, dois anos, agravada pelo fato de ter sido cometida dez vezes, o que resultou em dois anos e quatro meses de reclusão.
Ao justificar sua pena, o ministro revisor leu depoimentos de testemunhas que elogiavam a personalidade do réu, pessoas que destacam seu bom comportamento como pai e sua carreira bem sucedida.
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Ao final da exposição de Lewandowski, o presidente do STF, Ayres Britto, chamou atenção para a repetição dos votos, que estão longos. O ministro sugeriu que relator e revisor apresentassem somente o necessário, sem entrar em muitos detalhes.
Nesse momento, o ministro Barbosa aproveitou para criticar o fato de Lewandowski ler depoimentos favoráveis ao réu.
— Eu ignoro os depoimentos, eles são neutros. Vossa Excelência está transformando os réus em anjos.
O ministro revisor se mostrou bastante irritado com a colocação de Barbosa e alterou a voz para responder o colega.
— Isso é inadmissível numa Corte, nós estamos num julgamento sério. Eu não vou admitir mais que Vossa Excelência use frases de efeito em detrimento de minha pessoa.
Mais uma vez, o presidente da Corte precisou intervir para encerrar a discussão e retomar a coleta de votos dos ministros, que devem escolher entre o entendimento do revisor ou do relator sobre a pena proposta.
O STF ainda precisa definir a punição para mais três crimes cometidos por Ramon Hollerbach, que, até agora, está condenado a 14 anos e três meses de prisão. Além dele, outros 23 réus aguardam a fixação das penas.














