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Votação do relatório em ação contra Eduardo Cunha ficará para dezembro

Presidente do Conselho de Ética já considera futuro pedido de vistas do processo

Brasil|Rodrigo Vasconcelos, do R7, em Brasília

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Deputado Araújo conduziu uma "reunião informal" após suspensão de sessão no Conselho de Ética na Câmara
Deputado Araújo conduziu uma "reunião informal" após suspensão de sessão no Conselho de Ética na Câmara

O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, José Carlos Araújo (PSD-BA), trabalha com a possibilidade da votação do relatório no processo contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seja adiada para dezembro.

Araújo já considera um futuro pedido de vistas do processo, que foi anunciado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP). O líder do Solidariedade da Câmara diz ser aliado de Cunha para que ele avance com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.


A reunião na qual o parecer sobre o processo do relator, Fausto Pinato (PRB-SP), será avaliado pelo Conselho de Ética ficou marcada para a próxima terça-feira (24). Araújo explica que, com o pedido de vistas, os deputados precisam aguardar dois dias úteis, e como a sessão não teria quórum numa sexta-feira, ela seria passada para o dia 1º de dezembro.

- Na terça-feira vamos ler o relatório, e se não pedirem vista, votaremos. Mas provavelmente vão pedir vista, então vamos dar vista por dois dias, e no final desses dois dias eu convoco a sessão para a votação propriamente dita do relatório do Pinato.


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A sessão do Conselho de Ética no processo contra Cunha seria realizada nesta quinta-feira (19). No entanto, o presidente da Câmara iniciou a sessão de votações do Plenário no mesmo horário, e por isso Araújo suspendeu a reunião.


Marcada para as 9h30, a reunião só começou 50 minutos depois. Cunha iniciou a ordem do dia minutos após a sessão do Conselho atingir o quórum mínimo de 11 membros presentes. No Plenário, o segundo-secretário da Mesa Diretora, Felipe Bornier (PSD-RJ), cancelou a sessão a pedido do deputado André Moura (PSC-SE).

Os aliados do peemedebista pediram a anulação da sessão e, como Cunha não podia deliberar sobre um tema que diz respeito a ele, passou a presidência para que Bornier deliberasse. O peemedebista se sentou ao lado de Bornier e acompanhou a deliberação do parlamentar.


No entanto, após revolta de deputados que abandonaram o Plenário em direção à sala do Conselho de Ética, Cunha suspendeu a decisão de Bornier. O presidente da Câmara criticou a forma com a qual Araújo conduziu o processo.

- O presidente do Conselho de Ética ao que me parecer é que hoje desrespeitou o regimento. Então isso é uma coisa que com o tempo vai ter que ser resolvida. Me parece que estão querendo atropelar o regimento interno e a Constituição visando buscar outro tipo de coisa que não é o cumprimento da legislação.

Acusação

Cunha é acusado de quebra de decoro parlamentar em representação feita pelo PSOL e pela Rede por, supostamente, ter mentido em depoimento à CPI da Petrobras ao afirmar não ter contas no exterior. Documentos dos Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça apontam a existência de contas bancárias em nome de Cunha e de familiares no país europeu.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) confirmou a existência de ativos na Suíça em nome do deputado e de familiares dele. O valor total seria perto de US$ 5 milhões (pouco mais de R$ 20 milhões segundo a cotação atual do dólar).

Em agosto, a PGR apresentou pedido de abertura de inquérito contra Cunha no STF (Supremo Tribunal Federal) por lavagem de dinheiro e corrupção passiva por suposto envolvimento nos crimes investigados pela Operação Lava Jato.

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