Brasília A cada hora, uma criança é vítima de violência no DF

A cada hora, uma criança é vítima de violência no DF

Somente de janeiro a agosto deste ano, foram registradas 5.057 ocorrências pela PCDF e cometidos, em média, 21 crimes por dia

  • Brasília | Priscila Mendes, do R7, em Brasília

Dados mostram que 21 crimes são cometidos por dia contra crianças e adolescentes no DF

Dados mostram que 21 crimes são cometidos por dia contra crianças e adolescentes no DF

Freepics - 18.05.2020

A cada hora, uma criança ou adolescente de até 17 anos é vítima de violência no Distrito Federal. Os dados são de um levantamento feito pela Divisão de Análise Técnica e Estatística (Date) da Polícia Civil do Distrito Federal e consolidado no dia 23 de setembro.

Somente de janeiro a agosto deste ano, foram registradas 5.057 ocorrências, o que significa uma média de 632 registros por mês e de 21 crimes cometidos por dia. A análise desconsiderou os casos duplicados das delegacias da criança e do adolescente (DCAs); levou em conta apenas os casos em que o DF foi selecionado como endereço dos fatos.

Na comparação com o total de crimes cometidos em 2020, quando foram registrados 8.094 casos, verifica-se uma queda de 10% nos números. Mas, no comparativo entre os meses de abril a agosto deste ano, é possível observar um aumento dos registros criminais. Isso contraria a tendência de queda dos primeiros trimestres e indica uma possível projeção de crescimento do número total de casos para este ano. 

Segundo o relatório da PCDF, as crianças de 6 a 11 anos estão entre as principais vítimas de maus-tratos, sendo a maioria (55%) do sexo feminino, enquanto os adolescentes de 12 a 15 anos são o principal alvo de crimes praticados pela internet e de estupro de vulnerável.

Também foi possível verificar que os jovens de 16 e 17 anos sofrem mais roubo, ameaça, injúria, crimes da Lei Maria da Penha, lesão corporal, vias de fato, ato infracional praticado por criança ou adolescente e furto de celular.

Os meios de violência mais empregados são ameaça (17%), agressão moral (11%), violência física (8%), subtração — tirar a criança de sua família — (5%) e violência sexual (4%). 

Os dados mostram ainda que Ceilândia, Samambaia, Taguatinga e Planatina estão entre as regiões com o maior número de ocorrências. Durante esse período de pandemia, as vias públicas (30%) e as residências (30%) foram os locais de maior incidência criminal. 

Dados nacionais

Com a pandemia, as famílias passaram a ficar mais tempo em casa e os casos de violência infantil cresceram no país. Em 2020, o Disque 100, serviço do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, registrou 95.247 denúncias – foram 86.800 em 2019, quando não havia pandemia.

Os números representam uma média de 260 queixas por dia não só por tortura, agressões físicas e psicológicas, mas também por negligência (a maioria). Por hora, a média é de quase 11 denúncias.

O estado mais populoso do país, São Paulo, lidera o ranking, com 23.870 denúncias, seguido pelo Rio de Janeiro, com 12.470, e por Minas Gerais, com 12.040.

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