Brasília 'A palavra guerra está proibida', diz brasileira que mora na Rússia

'A palavra guerra está proibida', diz brasileira que mora na Rússia

A estudante brasileira afirma que a população russa 'finge que nada está acontecendo'; veja entrevista exclusiva ao R7

  • Brasília | Giovana Cardoso*, do R7, em Brasília

Moscou, na Rússia

Moscou, na Rússia

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Em meio às proibições impostas por Vladimir Putin à população russa, uma estudante brasileira que está na Rússia relatou ao R7 que a maior parte da população evita falar sobre a guerra. “Na maioria das vezes, eles fingem que nada está acontecendo. Se você perguntar para alguém, ou eles vão falar que é uma situação triste ou eles vão defender o presidente", disse a jovem, que pediu para não ter o nome divulgado.

No início de março, Putin estabeleceu uma pena de até 15 anos para quem publicar o que o Kremlin considera “notícias falsas” sobre os militares que atuam na guerra com a Ucrânia. “Você falar a palavra guerra, já está sendo uma palavra proibida. Então a gente fala bem baixo, evita falar ou a gente muda os termos”, afirmou a estudante. O governo russo se refere à guerra como "operação especial". 

O presidente da Rússia também baniu as redes sociais Instagram e Facebook do país, no início de março. A brasileira conta que as notícias pesquisadas em outras línguas continuam funcionando normalmente.

Desde o início da guerra, a estudante explicou que a principal dificuldade está relacionada ao envio de dinheiro do Brasil para a Rússia. “Estamos tendo que enviar [dinheiro] por criptomoedas, algo que eu nunca mexi antes. Os cartões pararam de funcionar na segunda semana de guerra, e nós só conseguimos mandar desse jeito”, comentou.

A estudante, que frequenta uma universidade no país, ainda chegou a falar sobre a vontade de retornar ao Brasil, porém o risco de perder o semestre levou a brasileira a optar por permanecer na Rússia. “A faculdade se pronunciou falando que quem saísse iria perder o semestre, então eu resolvi não sair”, disse.  

Devido à proximidade com a fronteira, a brasileira afirma que a cidade em que mora está com grande movimentação militar, além do barulho provocado por caças da força aérea russa. “É questão de dez caminhões enfileirados com armamento passando na rua para ir até a zona de conflito. A gente vive nesse medo, será que isso vai chegar aqui?”.

*Estagiária sob supervisão de Fausto Carneiro

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