Acordo Mercosul-UE: veja quem ganha força e quem teme perder espaço com o tratado
Livre comércio entre os blocos reacende disputa por competitividade, padrões ambientais e liderança global
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A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai, redesenha o tabuleiro do comércio internacional e separa vencedores potenciais e grupos que veem riscos na nova configuração.
De um lado, países sul-americanos ampliam o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo. Do outro, setores produtivos europeus, especialmente do agronegócio, demonstram receio com o aumento da concorrência de produtos importados com custos mais baixos.
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Segundo o cientista político Gustavo Castro, a resistência observada em parte da Europa está diretamente ligada à competitividade. Produtos agropecuários do Mercosul chegam ao mercado europeu com preços mais acessíveis, impulsionados por estruturas produtivas diferentes e por exigências ambientais consideradas menos rígidas do que as aplicadas dentro da UE.
“Essas pressões locais ajudam a explicar votos contrários ao acordo em alguns países”, avalia.
Além da disputa econômica, há um componente político e ambiental. A União Europeia busca consolidar-se como liderança global na agenda climática e de sustentabilidade. Para Castro, se não houver garantias sólidas de cumprimento de compromissos ambientais por parte do Mercosul, o acordo pode gerar desgaste interno no bloco europeu.
“O impasse reflete tensões entre interesses econômicos, compromissos ambientais e pressões eleitorais”, diz.
Mesmo assim, especialistas apontam que os efeitos do acordo ultrapassam a relação bilateral. A consolidação de uma ampla área de livre comércio tende a influenciar padrões internacionais de comércio, regulação ambiental e regras de mercado, afetando também países concorrentes fora do eixo Mercosul–UE.
Na avaliação de Castro, o movimento ocorre em um contexto global marcado por fragmentação geopolítica. “O acordo sinaliza uma tentativa de revitalização do multilateralismo comercial e pode servir tanto como modelo quanto como alerta para futuras negociações entre grandes blocos regionais”, afirma.
Outro ponto em discussão é a possibilidade de reduzir a dependência econômica de potências como Estados Unidos e China e, em alguma medida, do dólar. A viabilidade dessa mudança, no entanto, depende de coordenação política e financeira entre os países envolvidos, sem provocar desequilíbrios.
Para o advogado Pablo Sukiennik, o fortalecimento passa por uma atuação multilateral mais articulada. “Brasil, Índia e China têm peso relevante no cenário global. Uma posição coordenada do multilateralismo poderia funcionar como contrapeso à influência dos Estados Unidos”, diz.
Com a assinatura formalizada, o desafio agora será transformar o acordo em resultados concretos, equilibrando competitividade, sustentabilidade e interesses políticos dentro e fora dos blocos.
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