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Acordo Mercosul-UE: veja quem ganha força e quem teme perder espaço com o tratado

Livre comércio entre os blocos reacende disputa por competitividade, padrões ambientais e liderança global

Brasília|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi assinado, ampliando o acesso sul-americano ao mercado europeu.
  • Produtores europeus, especialmente do agronegócio, expressam preocupação com a concorrência de produtos importados a preços mais baixos.
  • A União Europeia busca liderar a agenda climática, exigindo garantias ambientais do Mercosul para evitar desgaste interno.
  • O acordo visa reduzir a dependência de economias como EUA e China, mas requer coordenação política e financeira entre os países envolvidos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Acordo foi assinado por líderes da UE e do Mercosul neste sábado Cesar Olmedo/Reuters - 17.01.2026

A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai, redesenha o tabuleiro do comércio internacional e separa vencedores potenciais e grupos que veem riscos na nova configuração.

De um lado, países sul-americanos ampliam o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo. Do outro, setores produtivos europeus, especialmente do agronegócio, demonstram receio com o aumento da concorrência de produtos importados com custos mais baixos.


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Segundo o cientista político Gustavo Castro, a resistência observada em parte da Europa está diretamente ligada à competitividade. Produtos agropecuários do Mercosul chegam ao mercado europeu com preços mais acessíveis, impulsionados por estruturas produtivas diferentes e por exigências ambientais consideradas menos rígidas do que as aplicadas dentro da UE.

“Essas pressões locais ajudam a explicar votos contrários ao acordo em alguns países”, avalia.


Além da disputa econômica, há um componente político e ambiental. A União Europeia busca consolidar-se como liderança global na agenda climática e de sustentabilidade. Para Castro, se não houver garantias sólidas de cumprimento de compromissos ambientais por parte do Mercosul, o acordo pode gerar desgaste interno no bloco europeu.

“O impasse reflete tensões entre interesses econômicos, compromissos ambientais e pressões eleitorais”, diz.


Mesmo assim, especialistas apontam que os efeitos do acordo ultrapassam a relação bilateral. A consolidação de uma ampla área de livre comércio tende a influenciar padrões internacionais de comércio, regulação ambiental e regras de mercado, afetando também países concorrentes fora do eixo Mercosul–UE.

Na avaliação de Castro, o movimento ocorre em um contexto global marcado por fragmentação geopolítica. “O acordo sinaliza uma tentativa de revitalização do multilateralismo comercial e pode servir tanto como modelo quanto como alerta para futuras negociações entre grandes blocos regionais”, afirma.


Outro ponto em discussão é a possibilidade de reduzir a dependência econômica de potências como Estados Unidos e China e, em alguma medida, do dólar. A viabilidade dessa mudança, no entanto, depende de coordenação política e financeira entre os países envolvidos, sem provocar desequilíbrios.

Para o advogado Pablo Sukiennik, o fortalecimento passa por uma atuação multilateral mais articulada. “Brasil, Índia e China têm peso relevante no cenário global. Uma posição coordenada do multilateralismo poderia funcionar como contrapeso à influência dos Estados Unidos”, diz.

Com a assinatura formalizada, o desafio agora será transformar o acordo em resultados concretos, equilibrando competitividade, sustentabilidade e interesses políticos dentro e fora dos blocos.

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