Apagão no DF: governo não tem prazo definido para normalização dos serviços públicos
Vice-governador diz que governo se depara diariamente com “surpresinhas”
Brasília|Do R7

O Distrito Federal enfrenta um apagão dos serviços públicos no início da gestão Rodrigo Rollemberg. Com problemas herdados por Agnelo Queiroz e outros historicamente existentes, o governo chega aos primeiros 20 dias com uma caderneta de questões. Algumas serão resolvidas a curto e médio prazo. Outras, terão que esperar um pouco mais, afirmou o vice-governador, Renato Santana.
— O problema das contas, por exemplo, a gente propôs o parcelamento para os servidores, é médio prazo. Não é não ter o recurso e não querer pagar, é não ter o recurso. Se eu disser que os serviços vão estar resolvidos amanhã... a gente não quer dizer isso, isso depende.
Renato Santana garante, no entanto, que a ordem de Rodrigo Rollemberg é que secretários e administradores resolvam os problemas o mais rápido possível.
— Nós precisamos ir ao combate imediato. Existem alguns problemas que o pessoal já estava com “água pelo nariz”, pessoas sem receber salário, uma série de problemas, não está fácil. E vou ser sincero, nós nos deparamos todos os dias com algumas “surpresinhas” que estavam fora do nosso radar.
Um dos problemas resolvidos é o da limpeza pública. A coleta de lixo, inconstante desde dezembro, voltou ao normal dia 13. Outra frente de trabalho realiza uma operação emergencial para poda de árvores, roçagem, capinagem em Ceilândia.
As outras cidades serão atendidas de acordo com pedidos das administrações regionais. O governo espera terminar a Operação Levanta, DF no dia 10 de fevereiro, um mês após o início dos serviços. Apesar disso, o GDF ainda tem uma agenda de pendências.
Contas
Os desacertos das contas públicas prejudicam o funcionamento dos hospitais públicos. Por causa de dívidas de horas extras e outros benefícios, médicos e outras categorias da saúde decidiram paralisar os serviços. O governo chegou a apresentar uma proposta de parcelamento dos débitos, recusada por parte dos profissionais, que iniciaram o movimento. Enquanto os dois lados não chegam a um acordo, pacientes amargam a falta de socorro.
— Eu vim cedo para a cardiologia, o doutor atendeu e, agora à tarde, mandaram esperar para saber se médica vem por causa da greve, diz uma paciente grávida, que aguardava atendimento no HMIB (Hospital Materno-Infantil de Brasília).
Pacientes em estado grave também enfrentam problemas para chegar a uma unidade de saúde. Os paramédicos e técnicos do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também aderiram à greve e o socorro nas ruas ou em domicílios está quase parado.
O acesso a medicamentos também é precário. Depois de quase duas semanas fechadas, as farmácias de alto custo retomaram o atendimento na quarta-feira passada com apenas 30% do efetivo de funcionários em trabalho. O governo informou que recebeu uma nova proposta do Sindicato dos Médicos, que será debatida na quarta-feira (21).
Educação
Os problemas nas contas ainda ameaçam o início do ano letivo. Com 13º salários, férias e benefícios atrasados, servidores da educação recusaram a proposta de parcelamento das dívidas e ameaçam greve no início do ano letivo, marcado para 23 de fevereiro.
O único serviço de educação garantido é o de creches para crianças com até cinco anos. O governo prometeu pagar nesta terça-feira R$ 6 milhões devidos a entidades que gerenciam as unidades de educação conveniadas com o governo. Com o pagamento, depois de três meses de atraso, as instituições garantiram que iniciam o ano letivo no prazo agendado pelo GDF.
Serviços
Funcionários terceirizados, responsáveis por limpeza, portaria e recepção de órgãos públicos mantêm apenas 30% do efetivo em trabalho. A falta de pessoal também atinge serviços como retirada serviços trabalhistas e oferta de emprego nas Agências do Trabalhador. A Casa Civil informou por nota que 58 funcionários devem ser nomeados até o fim da semana para reforçar o atendimento nas agências.
Grande parte dos trabalhadores terceirizados tem salários e benefícios atrasados porque o governo anterior não efetuou o pagamento de faturas com empresas contratadas. O GDF anunciou a quitação de parte das dívidas, que chegam a R$ 30 milhões.















