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Após quatro adiamentos, julgamento sobre extradição de Zambelli deve ocorrer nesta terça

Ex-deputada teve extradição pedida à Itália após sair do Brasil, o que levou à sua prisão pela polícia italiana

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli está agendado para esta terça-feira na Itália.
  • Zambelli foi presa em Roma após ter deixado o Brasil e ter sua extradição solicitada devido a condenações no STF.
  • A defesa de Zambelli afirma ter "boa expectativa" sobre o resultado, com apoio de um senador italiano para barrar a extradição.
  • Zambelli já foi condenada a penas de prisão por crimes relacionados a invasão de sistemas e porte ilegal de arma de fogo.

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Zambelli está presa na Itália desde julho de 2025 Felipe Rau/Estadão Conteúdo - 15.5.2025

Após ter sido adiado quatro vezes, o julgamento que vai decidir sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma, na Itália, está marcado para esta terça-feira (10). A decisão caberá à Justiça italiana.

Condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Zambelli teve sua extradição pedida à Itália após ter deixado o Brasil, o que levou à sua prisão pela polícia italiana. Agora, porém, cabe às autoridades judiciais do país europeu abrir e concluir o procedimento que definirá se a extradição será ou não autorizada, especialmente porque a ex-parlamentar também possui cidadania italiana.


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A defesa de Zambelli na Itália afirma ter “boa expectativa” em relação ao desfecho da audiência. Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, que a representa no país, o senador italiano Matteo Gelmetti tem atuado junto ao Ministério da Justiça para tentar barrar a extradição, sob o argumento de um suposto desrespeito a garantias processuais no Brasil por parte do ministro do STF Alexandre de Moraes.

“O senador, do partido da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, está cobrando a não extradição ao ministro da Justiça e também criticando a forma como esse processo no Brasil foi julgado por um ministro ‘relator, vítima e acusador’, nas palavras dele”, disse Pagnozzi.


Procurado por meio da assessoria do STF e de seu gabinete, Moraes não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto.

Explicações sobre deputado que denunciou paradeiro

Ainda segundo a defesa de Zambelli, Gelmetti pediu explicações às autoridades italianas sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde da Itália, obteve o endereço de Zambelli em Roma.


“O senador pediu esclarecimentos sobre como o endereço de Zambelli foi fornecido por um deputado de esquerda, já que ele não teria acesso às investigações da polícia local”, afirmou Pagnozzi. “Esse cenário muda muito.”

Em julho do ano passado, Bonelli publicou em seu perfil no X que havia localizado Zambelli em Roma e informado o endereço às autoridades. “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à polícia; neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu à época.


Bonelli, de 62 anos, é ativista ambiental e, desde 2022, presidente da Aliança Verde-Esquerda, coligação que faz oposição ao governo de Giorgia Meloni.

Zambelli foi localizada pelo adido da Polícia Federal em Roma, que atua na embaixada brasileira, em conjunto com autoridades italianas. A prisão ocorreu no mesmo dia da publicação de Bonelli. Desde então, a ex-deputada permanece detida na capital italiana.

Condenações de Zambelli no Brasil

No Brasil, Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Ele afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Após essa condenação, Zambelli deixou o país e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.

Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com perda do mandato após o trânsito em julgado.

Ele se envolveu em uma confusão na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Em vídeos divulgados nas redes sociais em poder da Polícia Civil, a parlamentar aparece empunhando uma pistola enquanto persegue um homem, que é agredido por outras pessoas. Um tiro foi disparado pelo grupo do qual fazia parte a deputada. Carla alega ter sido agredida na ocasião.

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