Atuação do Comando Vermelho aparece em operação da PF que teve como alvo CEO do Fictor
Operação Fallax apura suposta dinâmica criminosa com empresas fictícias, participação de gerentes bancários e ligação com facção
Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo
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A atuação de células ligadas ao CV (Comando Vermelho) entrou no radar da PF (Polícia Federal), durante a Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25). A investigação apura uma eventual conexão de recursos movimentados no esquema com estruturas associadas à facção.
Entre os alvos da operação estava o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis. A força-tarefa ocorreu para desarticular uma quadrilha suspeita de cometer fraudes contra a Caixa Econômica Federal.
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A PF detalhou que o Grupo Fictor operava com uma dinâmica estruturada para obter dinheiro de forma irregular e, posteriormente, lavar esses recursos — parte dos quais teria origem em células criminosas vinculadas ao CV.
O modelo incluía a criação em larga escala de empresas fictícias, com características padronizadas, como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único. Depois, essas companhias eram usadas para pedir crédito a instituições financeiras.
A dinâmica criminosa identificada pelos investigadores envolvia etapas articuladas, como:
- Abertura de empresas com aparência de legalidade;
- Uso de certificados digitais para operações remotas;
- Captação de pessoas para cessão de dados pessoais;
- Manipulação de faturamento para simular capacidade de pagamento;
- Cooptação de gerentes, que repassavam informações sigilosas para inserção de dados falsos em sistemas bancários;
- Produção de documentos contábeis fraudulentos, como DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e declarações fiscais.
A investigação detalha que o grupo usava essas empresas por período limitado, de um ano a um ano e meio, com cumprimento de obrigações, inicialmente, para criação de histórico financeiro positivo. Depois, iniciava a fase de inadimplência planejada, o que dificultava a recuperação dos valores pelas instituições bancárias.
Há indícios de prejuízos milionários a instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Banco Safra.
Para a Operação Fallax, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de 21 prisões preventivas e de 43 mandados de busca e apreensão, em cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. Também houve bloqueio de bens, como imóveis, veículos e ativos financeiros, até um total de R$ 47 milhões.
Os investigados podem responder pelos delitos de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e crimes contra o sistema financeiro. Somadas, as penas em caso de condenação podem passar de 50 anos de prisão.
Papel do Grupo Fictor
Para a Polícia Federal, o Grupo Fictor teve papel central na sustentação financeira e operacional desse esquema.
A atuação da companhia incluía a injeção de recursos para simular movimentações entre empresas ligadas ao grupo, principalmente por meio de pagamentos cruzados de boletos, estratégia que dava aparência de liquidez e atividade econômica regular às operações.
Além disso, o Grupo Fictor participava da criação e da administração de companhias de fachada. Nesse contexto, a estrutura permitia:
- Geração artificial de faturamento;
- Pagamentos cruzados para simular fluxo financeiro;
- Construção de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.
A reportagem pediu posicionamento da empresa, mas não teve resposta até a mais recente atualização deste texto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
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