Brasília Bolsonaro aposta em Braga Netto como candidato à Prefeitura do Rio

Bolsonaro aposta em Braga Netto como candidato à Prefeitura do Rio

Escolhas do ex-presidente da República têm incomodado o presidente do partido, o PL, Valdemar Costa Neto

  • Brasília | Agência Estado

General Walter Braga Netto e Jair Bolsonaro

General Walter Braga Netto e Jair Bolsonaro

Valter Campanato/ Agência Brasil

Após barrar o filho e senador, Flávio Bolsonaro (PL), na disputa pela Prefeitura do Rio, o ex-presidente Jair Bolsonaro costura uma candidatura de seu vice na chapa derrotada nas eleições do ano passado à sucessão municipal de 2024. O general Walter Braga Netto é a aposta de Bolsonaro para agradar a seu eleitorado tradicional na cidade e evitar um racha do grupo político.

Pesquisas internas do PL indicaram a dificuldade que Flávio teria em vencer o prefeito e eventual candidato à reeleição, Eduardo Paes (PSD), que busca o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão de Jair Bolsonaro em tirar o filho do processo sucessório municipal levou em conta, ainda, o impacto das denúncias de corrupção que envolvem a família. No entanto, as escolhas de Bolsonaro têm incomodado o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

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Com a saída do senador do jogo, reacendeu a disputa interna no diretório do PL fluminense pela indicação de um novo candidato. Além de Braga Netto, o deputado federal e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o senador Carlos Portinho e os deputados estaduais Márcio Gualberto e Alan Lopes trabalham pela indicação ou pelo posto de vice, em caso de composição com outros partidos.

Walter Braga Netto em audiência na Câmara

Walter Braga Netto em audiência na Câmara

Cleia Viana/Câmara dos Deputados - 17.08.2021

O general foi um dos poucos oficiais militares da reserva que passaram pelo governo Bolsonaro sem perder a confiança do então presidente e seus filhos. Em novembro passado, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, Braga Netto demonstrou simpatia pelo movimento que preparava um golpe.

"Vocês não percam a fé, tá bom? É só o que eu posso falar pra vocês agora", disse o militar a simpatizantes que defendiam, na portaria do Palácio da Alvorada, uma intervenção militar. Quase dois meses depois, apoiadores de Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes.

Alianças

Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado

Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado

Geraldo Magela/Agência Senado

O ex-presidente Jair Bolsonaro aguarda o fim das negociações do diretório carioca do PL com os demais partidos de centro-direita para a disputa municipal. Correndo por fora, o senador Carlos Portinho tenta forjar uma aliança com partidos como Progressistas, Republicanos e União Brasil. Para pavimentar uma pré-candidatura, ele busca um entendimento com o deputado federal Dr. Luizinho (PP).

O parlamentar do Progressistas, por sua vez, tem o apoio do governador Cláudio Castro (PL), que defende uma ampla coligação para vencer Paes. "O presidente Bolsonaro é o grande articulador das eleições de 2024, que é o campo preparatório para as eleições de 2026", afirma Portinho. "O general Braga Netto é o grande estrategista das ações do PL, não só no Rio como em todo o país", disse.

Um dos integrantes do PL que mais se empenharam na candidatura de Flávio Bolsonaro, o deputado estadual Alan Lopes (PL-RJ) passou a defender a escolha de Braga Netto após o senador deixar a disputa. "Minha missão é lutar para expulsar os corruptos ditadores do Rio."

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

José Dias/PR - 27.04.2020

Eduardo Pazuello e o deputado estadual Márcio Gualberto também brigam como alternativas para assumir uma vaga de vice-prefeito, caso o partido decida apoiar outra legenda. O ex-ministro da Saúde e Gualberto pretendem participar de seminários e encontros para discutir o tema da segurança pública.

A opção Pazuello, contudo, esbarra no presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O dirigente tem dito a interlocutores que lançar o militar é entregar a eleição ao prefeito Eduardo Paes (PSD), uma vez que Pazuello era ministro da Saúde na pandemia da Covid-19, quando Bolsonaro adotou o negacionismo como resposta à crise.

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