Brasília Bolsonaro diz que reajuste a policiais não está definido

Bolsonaro diz que reajuste a policiais não está definido

Governo não especificou qual carreira será atendida com valor de R$ 1,736 bilhão, segundo o presidente

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro

Marcelo Camargo / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (23), que ainda não definiu como vai aplicar o valor de R$ 1,736 bilhão previsto no Orçamento de 2022 para o reajuste salarial de servidores públicos. Segundo ele, não está confirmado que forças de segurança federais, como PF (Polícia Federal) e PRF (Polícia Rodoviária Federal), serão as únicas classes atendidas.

“O governo federal não especificou categoria nenhuma. Uma pequena reserva de [aproximadamente] R$ 2 bilhões. Está uma onda terrível aí, que vai ser direcionado. Lógico, todo mundo tem suas preferências. Agora, preferência não pode ser coisa pessoal. Tem que ser levando [em conta] a necessidade”, disse Bolsonaro, em live nas redes sociais.

Apesar de não dizer que vai usar o dinheiro para reestruturar as carreiras policiais, o presidente elogiou a atuação das corporações e disse que algumas delas estão com salários defasados.

“Tempos de poucos recursos, [a gente] procura atender quem pior está ganhando. A PRF tem batido recorde de apreensão de drogas em Minas Gerais. Foram 100 toneladas desde 2019, entre outros números bastante vultosos. Também, a Polícia Penal nossa tem um trabalho enorme e o seu salário está lá embaixo. Não quero dizer que vamos atender essa ou aquela categoria. Foi reservado R$ 2 bilhões. Vamos ver o que vai ser feito lá na frente.”

Segundo o chefe do Executivo, “a gente não quer cometer excesso ou injustiça para mais nem para menos”. “Todos os servidores são importantes. Uma categoria que, em grande parte ou quase todos, levam o Brasil ao seu destino e suas políticas”, comentou.

De acordo com Bolsonaro, não é possível dar reajuste a todas as categorias do funcionalismo público com o valor que foi destinado no Orçamento para essa finalidade. Segundo ele, o aumento seria quase imperceptível.

“Querer aumento linear, quero dar para todo mundo. Agora, tem um teto pela frente. Tenho conversado com a economia. Dá para fazer? Dá para fazer. Sabemos das dificuldades, a inflação está alta, 10%. A gente vê o que pode fazer dentro da responsabilidade. Todos merecem? Todos merecem. Agora, se for dar reajuste linear para todo mundo, vai ser 0,6% de reajuste para todo mundo desses R$ 2 bilhões”, observou Bolsonaro.

Debandada de servidores

A inclusão do valor de R$ 1,736 bilhão na versão final do projeto de lei que define o Orçamento do próximo ano só aconteceu na manhã de terça-feira (21), quando o Congresso aprovou a matéria, e atendeu a um pedido de Bolsonaro, que queria cumprir a promessa de conceder reajuste às carreiras policiais.

Essa prioridade dada pelo presidente gerou insatisfação em funcionários de outras áreas do setor público, o que provocou uma debandada sobretudo dentro da Receita Federal, que alega cortes no Orçamento do órgão por parte do governo.

Até quarta-feira (22), no mínimo 324 delegados, adjuntos e chefes de divisão que representam a base operacional da Receita Federal já tinham deixado seus cargos comissionados. Segundo o Sindifisco (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal), o número de servidores que pretendem entregar o cargo pode passar de 500.

Além disso, nesta quinta, outros 44 servidores, que atuam como conselheiros fazendários e especialistas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), apresentaram renúncia coletiva.

Nesta noite, os auditores da Receita Federal aprovaram greve a partir da próxima segunda-feira (27). A categoria decidiu aderir ao movimento por 97% dos 4.287 votantes — recorde de participação em assembleia sindical desde 2016.

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