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Brasil ganha vitrine com acordo Mercosul-UE, mas desafio é transformar discurso em competitividade

Do agro ao vinho, setores apontam riscos e oportunidades em meio a exigências ambientais

Brasília|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Acordo entre Mercosul e União Europeia projeta Brasil como referência em comércio sustentável.
  • Caminho para competitividade inclui enfrentar exigências ambientais e limitações logísticas.
  • Setor vitivinícola alerta sobre a abertura comercial sem contrapartidas, principalmente em relação à carga tributária.
  • Infraestrutura deficiente pode comprometer o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Acordo foi assinado neste sábado no Paraguai Cesar Olmedo/Reuters - 17.01.2026

A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que ocorreu neste sábado (17), projeta o Brasil para um novo patamar no comércio internacional, com potencial de ampliar mercados, atrair investimentos e reposicionar o país como referência em produção sustentável.

Mas o protagonismo esperado vem acompanhado de desafios que vão além da diplomacia, passando por exigências ambientais, competitividade interna e limitações logísticas.


Para Antonio da Luz, economista-chefe da Ecoagro, o acordo fortalece a imagem do Brasil como potência agroambiental global. Segundo ele, a mudança de postura europeia não decorre de uma transformação recente no modelo produtivo brasileiro, mas de interesses econômicos da própria União Europeia.

“O Brasil é o mesmo país. Produzimos com preservação há décadas. Assinar o acordo é, na prática, reconhecer isso”, afirma.


Na avaliação do economista, parte das críticas ambientais feitas ao Brasil ao longo dos anos funcionaram como instrumentos de barganha e proteção de mercado. Por isso, ele defende que o país saiba diferenciar demandas legítimas de exigências criadas para inviabilizar o acesso aos mercados.

“Quando surgem regras fora de qualquer padrão técnico, como a exigência de traço zero de defensivos, estamos diante de medidas que nem a própria legislação europeia nem o Codex Alimentarius [conjunto de normas, diretrizes e códigos de práticas internacionais sobre alimentos] exigem. São condições feitas para não serem cumpridas”, diz.


Ainda assim, Antonio da Luz avalia que acordos comerciais costumam gerar aprendizados mútuos. Ele destaca que o Brasil já adota práticas consideradas avançadas, como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, plantio direto, intensificação sustentável, reserva legal e áreas de preservação permanente.

“Talvez esse intercâmbio ajude também a Europa a evoluir nesses pontos”, completa.


Setores sensíveis pedem proteção interna

No setor vitivinícola, o acordo acende um sinal de alerta. Cláudio Góes, presidente da Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno), afirma que a entidade não é contrária ao acordo, mas teme os impactos da abertura comercial sem contrapartidas internas.

Hoje, produtores brasileiros enfrentam carga tributária elevada, que pode chegar a 25% em alguns estados, além do chamado “custo Brasil”. Pelo acordo, vinhos europeus terão alíquota zero em até oito anos.

“O problema não é o acordo em si. O problema é competir pagando muito mais imposto, sem apoio institucional e sem política pública para o setor”, afirma.

Segundo Góes, o prazo de transição oferece uma janela para preparação, mas o setor não está pronto para competir nas condições atuais. “Nossas margens já são apertadas. Não há mais de onde tirar competitividade. Se nada mudar, o consumidor vai olhar para o preço mais baixo do importado, e o produtor nacional vai sentir”, diz.

A principal reivindicação do setor é por revisão tributária, apoio governamental e políticas que tratem o vinho brasileiro como estratégico, a exemplo do que ocorre em países europeus.

Logística pode travar ganhos do acordo

Mesmo com vantagens comerciais, o aumento das exportações depende de infraestrutura. Para Ronaldo Félix, após a assinatura começa uma nova etapa: renegociação de contratos e fechamento de novos acordos, com oportunidades para o agro e para o aço semiacabado, que hoje acessam poucos mercados.

O entrave, segundo ele, está no escoamento da produção. Sem avanços logísticos, o especialista avalia que o país corre o risco de não conseguir sustentar, no médio prazo, o crescimento das vendas para a União Europeia.

“Exportações em grande volume dependem do modal marítimo. Precisamos destravar portos e, principalmente, as vias de acesso rodoviárias e ferroviárias. Hoje isso já é um gargalo sério”, afirma.

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