Brasília Brasil 'não está de acordo' com exclusão da Rússia do G20, diz Carlos França

Brasil 'não está de acordo' com exclusão da Rússia do G20, diz Carlos França

Ministro das Relações Exteriores afirma que país é a favor do multilateralismo e do direito internacional

AFP
Carlos França, Ministro das Relações Exteriores

Carlos França, Ministro das Relações Exteriores

Antonio Cotrim/EFE/EPA - 02.07.2021

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse nesta quinta-feira (24) que o governo de Jair Bolsonaro "não concorda" com a exclusão da Rússia do G20, como sugeriram os Estados Unidos devido à invasão à Ucrânia.

"Temos visto o surgimento de iniciativas em diversos órgãos internacionais, inclusive naqueles de caráter técnico, no sentido de expulsar a Rússia dessas entidades ou suspender a sua participação. O Brasil tem sido claramente contrário a essas iniciativas, em consonância com a nossa posição tradicional em favor do multilateralismo e do direito internacional", disse o chanceler, em um comparecimento ao Senado para discutir as consequências da guerra na Ucrânia para o Brasil e o mundo.

"O mais importante seria, neste momento, que todos esses fóruns — o G20, a OMC, a FAO — possam ter o funcionamento pleno. E para ter o funcionamento pleno, seria preciso que tivesse todos os países, inclusive a Rússia", acrescentou França.

O ministro insistiu na posição do governo Bolsonaro, crítica das sanções "unilaterais e seletivas" contra a Rússia, as quais disse que são "ilegais perante o direito internacional, preservam concretamente os interesses urgentes de alguns países", e "atingem produtos essenciais para a sobrevivência de grande parcela da população mundial".

Desde o começo da invasão russa, Bolsonaro evita criticar abertamente a incursão do Exército de seu colega russo, Vladimir Putin, o que gerou reprovações dentro e fora do Brasil. Dias antes do início do conflito, Bolsonaro se encontrou com Putin em Moscou e garantiu que o viu comprometido com a busca da paz.

A viagem do presidente brasileiro teve, entre outros objetivos, discutir a venda de fertilizantes russos para o Brasil, uma potência do agronegócio, que importa 85% dos insumos para a produção. "Os fertilizantes de que precisamos no Brasil são igualmente necessários para evitar a fome e garantir a sobrevivência econômica e estabilidade política das nações em desenvolvimento, que repondem por três quartos da população mundial", disse o chanceler nesta quinta-feira.

Os Estados Unidos e países como Reino Unido e Austrália questionam a participação da Rússia no G20, fórum que reúne as principais economias do mundo e cuja próxima reunião de cúpula está prevista para o fim do ano na Indonésia.

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