Brasil vai nacionalizar produção de remédio contra AME, que pode ultrapassar R$ 1,5 milhão
Parceria prevê produção nacional de medicamento de alto custo e pode ampliar acesso pelo SUS, reduzindo dependência externa
Brasília|Do R7, em Brasília
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O Brasil vai avançar na produção nacional de um dos principais medicamentos usados no tratamento da AME (Atrofia Muscular Espinhal), doença rara que compromete a força muscular e pode ter custo superior a R$ 1,5 milhão por paciente ao ano. A iniciativa faz parte de uma parceria envolvendo o Ministério da Saúde, a farmacêutica Hypera Pharma e instituições públicas, com previsão de internalização da tecnologia e fabricação no país.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26), durante a inauguração de um novo complexo industrial da Brainfarma, em Anápolis (GO), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Atualmente, o tratamento da AME já é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com a produção nacional do medicamento nusinersena, a expectativa do governo é ampliar o acesso e reduzir a dependência de fornecedores internacionais.
A iniciativa integra uma PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo), que também envolve o Bio-Manguinhos (Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), e a empresa internacional Yangzhou Aurisco Pharmaceutical.
Esse tipo de acordo tem como objetivo transferir tecnologia e fortalecer a capacidade produtiva nacional de medicamentos e insumos considerados estratégicos.
Além do avanço no tratamento da AME, o governo destacou que o novo complexo industrial também permitirá ao Brasil produzir, pela primeira vez na América Latina, o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) usado na fabricação do Buscopan. A produção será feita a partir da escopolamina, extraída da planta duboisia, cujo cultivo será realizado no Paraná.
Segundo o Ministério da Saúde, dominar toda a cadeia produtiva — do cultivo da matéria-prima à fabricação do medicamento — deve reduzir a dependência externa e aumentar a segurança no abastecimento de remédios no país.
A fábrica recebeu investimento de R$ 250 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e terá capacidade para produzir até 30 toneladas por ano de insumos farmacêuticos ativos. Já o cultivo da duboisia pode alcançar até 600 toneladas de folhas anuais.
Durante o evento, Lula afirmou que o país busca ampliar a autonomia na área da saúde. “Temos viajado para Índia, China e outros países para aprender a produzir aqui e garantir soberania”, disse.
O ministro Alexandre Padilha também destacou que a produção local pode evitar riscos de desabastecimento, especialmente diante de planos de interrupção da fabricação de alguns medicamentos no exterior a partir de 2026.
Ainda durante a agenda, Lula e Alckmin foram vacinados contra a gripe, marcando o início da campanha nacional de vacinação contra a influenza, que começa neste sábado (28) em grande parte do país.
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