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Câncer de pele: entenda mais sobre a doença que acometeu Bolsonaro

Diagnóstico do ex-presidente foi divulgado na tarde desta quarta-feira (17); segundo o Ministério da Saúde, cerca de 185 mil novos casos são registrados no país todo ano

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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Alterações na pele e surgimento de novas pintas ou manchas podem ser sintomas da doença Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após ser internado, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta quarta-feira (17), laudo positivo para câncer de pele. De acordo com o Ministério da Saúde, a doença representa 30% de todos os tumores malignos registrados no país e acomete cerca de 185 mil brasileiros por ano.

O câncer de pele ocorre quando as células da pele passam a se multiplicar de forma desordenada. A doença é causada principalmente pela exposição excessiva ao sol e atinge, em maior frequência, pessoas com mais de 40 anos, de pele clara, olhos e cabelos claros. É considerada rara em crianças e em pessoas negras.


O médico Cláudio Birolini, responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro, explicou que o tipo identificado foi o carcinoma de células escamosas, uma das formas mais comuns de câncer de pele não melanoma.

“Não é nem o mais bonzinho, nem o mais agressivo. Ainda assim, é um tipo de câncer de pele que pode ter consequências mais sérias”, disse sobre o câncer de Bolsonaro.


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Birolini destacou que as lesões estão em fase precoce, sem necessidade de tratamento imediato, mas com recomendação de acompanhamento contínuo.

“Não há um tratamento que ele vá fazer agora, mas existem várias lesões que precisam ser mantidas em vigilância contínua”, afirmou.


Tipos da doença

Os especialistas dividem a doença em duas categorias principais. O câncer de pele melanoma e não melanoma.

O tipo melanoma tem origem nas células produtoras de melanina, a substância que dá cor à pele. Representa apenas 3% dos casos, mas é o tipo mais grave devido à sua alta capacidade de provocar metástase.


Pode aparecer em qualquer parte do corpo, inclusive mucosas. Em pessoas negras, é mais comum em áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura, que também foram ampliadas nos últimos anos com a introdução de novos medicamentos imunoterápicos.

Já o não melanoma, tipo que o ex-presidente foi diagnosticado, é o mais comum do país. Apesar de apresentar baixa mortalidade, pode causar mutilações significativas se não tratado corretamente. Seus principais subtipos são:

  • Carcinoma basocelular: o mais frequente e menos agressivo, geralmente surge como feridas ou nódulos de evolução lenta.
  • Carcinoma epidermoide (ou de células escamosas): pode aparecer em feridas crônicas ou cicatrizes, especialmente as decorrentes de queimaduras. Tem maior risco de metástase, o que demanda maior atenção médica.

Sinais de alerta e prevenção

Dr. Dácio Quadros Netto, oncologista do Hospital Moriah, explica que o melanoma é o mais agressivo. Podendo atingir rapidamente linfonodos e órgãos como pulmão, fígado e cérebro.

“Antigamente, isso reduzia muito a expectativa de vida, mas hoje, existem tratamentos modernos como imunoterapia e terapias alvo, e muitos pacientes conseguem viver mais tempo e com boa qualidade de vida”, disse.

Ele comenta que uma pessoa que teve o diagnóstico de câncer de pele precisa redobrar os cuidados com o a exposição solar, evitando a exposição entre as 10 e 16hs, e usando filtro solar diariamente.

Por sua vez, a dermatologista Ana Carolina Sumam explica que a identificação precoce é essencial para o tratamento.

“Uma pinta comum tem formato arredondado, cor uniforme e bordas bem definidas. Já os sinais de alerta podem ser observados pela regra do ‘ABCDE’: assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro maior que 6mm e evolução, quando a pinta muda de aspecto ao longo do tempo”, afirma.

Lesões que coçam, sangram ou não cicatrizam também devem ser avaliadas por um médico. Além da exposição solar, outros fatores aumentam o risco da doença, como histórico familiar, uso frequente de câmaras de bronzeamento artificial, imunossupressão e contato ocupacional com produtos químicos.

“Quando identificado logo no início, o câncer de pele pode ser tratado de forma simples, muitas vezes apenas com cirurgia de retirada da lesão. As chances de cura ultrapassam 90% nesses casos”, reforça a médica.

Apesar dos avanços no tratamento, o câncer de pele continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no país devido à sua alta incidência.

A prevenção segue como a principal medida: uso regular de protetor solar, roupas que protejam do sol, chapéus, óculos escuros e evitar exposição prolongada em horários de maior radiação, entre 10h e 16h.

“Procurar atendimento médico diante de qualquer sintoma suspeito é fundamental. Quanto antes a doença é detectada, maiores são as chances de cura e menores as consequências para a saúde e para a qualidade de vida do paciente”, conclui Sumam.

*Sob supervisão de Bruna Lima

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